Idosos de 65 anos que receberam, no último sábado (17), a primeira dose da vacinação contra a covid-19 do imunizante Astrazeneca, produzido pela Universidade de Oxford, relataram reações adversas como; dores pelo corpo, no local da aplicação e estado febril. Os moradores de Curitiba procuraram a Rádio Banda B, durante o programa Luiz Carlos Martins, para falar dos sintomas, parte preocupados, enquanto outros comemorando. De fato há motivos para ficar feliz, já que, de acordo com a médica Lorena de Castro Diniz, coordenadora do Departamento Científico de Imunização da ASBAI – Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, as reações são um bom sinal de que o sistema imunológico está funcionando.
Antônio de Souza Oliveira, de 65 anos, tomou a vacina na manhã de sábado e, no domingo, começou a sentir dores pelo corpo. “Senti algo estranho no ombro e que se espalhou pelo corpo. Foi uma sensação de mal estar, sem chegar a ter febre. No dia seguinte já fiquei melhor”, contou Antônio, que teve sintomas semelhantes a José Divino Alves, de 65 anos. “Eu tomei e não consegui dormir à noite. Muita dor no corpo, que continuou no domingo, mas hoje segunda-feira já estou bem”, falou.
O aposentado Ovídio da Rocha Santos, também de 65, chegou a ter febre. “Tomei a vacina no sábado. De sábado para domingo eu tive calafrio e febre, já durante o domingo cansaço e dor no corpo. Hoje, na segunda-feira, acordei normal e sem sentir nada. Meu irmão que é médico explicou que a vacina dá reação que dura no máximo 72 horas”, revelou.
Reação normal
Para esclarecer as dúvidas dos ouvintes, a Banda B conversou com a médica Lorena de Castro Diniz, especialista no tema. Segundo ela, o relato de mais reações com a Astrazeneca se dá porque, na comparação com a Coronavac, os efeitos são maiores. “A gente observa que a vacina de Oxford, que usa o vírus inativo, tem um aparecimento maior de efeitos leves e moderados, mas as pessoas precisam ficar despreocupadas, porque são eventos esperados e que não vão acontecer na maioria”, explicou.
A médica explicou que as reações são um bom sinal, já que o sistema imunológico está funcionando para a criação de anticorpos. “Quem mexe com imunização há muito tempo encara estes eventos como uma sinal de uma boa resposta do sistema imunológico. É como se uma fábrica inoperante voltasse a funcionar, então isso é um bom sinal de que ele está funcionando e gerando os anticorpos”, afirmou, mas destacando que a maioria não apresenta reação. “E isso não quer dizer que a pessoa não teve uma boa resposta, porque grande parte não tem sintomas mesmo e criam os anticorpos, já que estas fábricas já estavam funcionando”, esclareceu Lorena.
Apesar das reações, a médica lembra que se deve ficar atento aos sintomas persistentes, porque se continuarem podem significar uma contaminação pela covid-19 antes da vacinação. “Como estamos com grande circulação viral, não podemos esquecer que podemos estar com o vírus incubado no dia da vacinação. Aí a doença aparece, mas não por conta da vacina, porque já havia a contaminação. Então, deve-se atentar que a vacina dá reação apenas nas primeiras 72 horas”, concluiu a médica.
Prefeitura de Curitiba
Apesar do maior relato de reações por quem recebe a vacina de Oxford, a infectologista Mario Burguer, da Secretária Municipal de Saúde, destacou que também há relatos de quem recebeu a dose da Coronavac. “As duas vacinas podem apresentar reações. O que sabemos de locais que vacinaram mais é que a vacina de Oxford tem um pouco mais de reação, especialmente nos mais jovens. Se a pessoa teve reação é sinal de que o corpo reagiu bem ao imunizante, criando os anticorpos”, destacou.
Segundo a infectologista, assim que recebe a dose o curitibano recebe um folheto sobre as possíveis reações. “Os efeitos mais comuns são locais, como dor, vermelhidão e um pouco de febre. Se os sintomas persistirem e se intensificarem, aí se deve procurar a Central de Atendimento Covid-19 (3350-9000), que vai orientar o que deve ser feito. Poucas pessoas têm reação”, finalizou.