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Quinta, 24 de junho de 2021
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Policial

Dinheiro desviado de Umuarama daria pra vacinar toda a população da cidade e comprar 270 respiradores

Daria para imunizar toda a população de Umuarama e ainda sobraria para doar a municípios vizinhos.

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Ao que tudo indica, a operação Metástase, desencadeada nesta quarta-feira (5) pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), Gaeco e Gepátria teve início com uma denúncia acolhida no dia 28 de agosto de 2020 pelo promotor Fábio Hideki Nakanishi, da 5a Promotoria de Justiça da comarca de Umuarama. 

Os autores iniciais são os vereadores reeleitos Ana Novais e Mateus Barreto. Também foram ao encontro do promotor os então vereadores Deybson Bitencourt, que não disputou o pleito no ano passado, e Jones Vivi, derrotado nas urnas.

A denúncia era sobre a contratação de uma empresa para fornecer agentes de endemias, no prazo de 180 dias, sem licitação. O que veio depois disso foi uma bola de neve, ou uma metástase, tumor cancerígeno que vai se espalhando em áreas de lesão. 

Ao dar início à ação civil pública, o Ministério Público passou a descobrir o que pode ser um catatau de escandalosas ilegalidades. As mais recentes delas têm relação com o desvio de recursos repassados pelo governo federal para o tratamento de pacientes com covid-19, em Umuarama.


345 mil doses de Coronavac

O esquema de corrupção, de acordo com o MP-PR, chega a R$ 19 milhões. O valor é suficiente para comprar 270 respiradores ou 345 mil vacinas Coronavac, ao preço de US$ 10 por dose. Daria para imunizar toda a população de Umuarama e ainda sobraria para doar a municípios vizinhos.

Enquanto pessoas morrem sufocadas por falta de leitos, é doloroso saber que parte do dinheiro desviado teria sido usado na compra de barco e equipamentos náuticos e na construção de uma casa de veraneio em Porto Rico, às margens do rio Paraná.

Foram sete presos, seis em Umuarama e um Brasília. Esse número pode crescer nos próximos dias. Dos seis detidos aqui na cidade, cinco são empresários e dois são servidores da Prefeitura, com cargos no alto escalão. 

Cícero Laurentino é diretor de assuntos interinstitucionais e Renata Figueiredo Campagnoli de Oliveira é diretora de saúde, com o dever de reportar-se à secretária Cecília Cividini.


Secretário parlamentar trabalhava para deputado de SP

Entre as funções de Laurentino está o acompanhamento de projetos e a liberação de recursos em Curitiba e Brasília, através do contato com entes públicos, agentes políticos e seus assessores. É o caso de Valdecir Miester, preso em Brasília.

No site da Câmara Federal Miester constava como secretário parlamentar do deputado e pastor Roberto de Lucena (Podemos), eleito pelo estado de São Paulo. Constava, porque Miester foi exonerado nesta quarta-feira. 

Miester também é dono de uma consultoria na área de contabilidade. A empresa tem sede na cidade de Boa Vista da Aparecida, oeste paranaense, e está ativa há 21 anos.

A equipe de OBemdito não conseguiu contato telefônico com o gabinete do deputado Roberto de Lucena. 


Não há provas diretas contra secretária e prefeito

Por decisão judicial, a secretária Cecília Cividini foi afastada preventivamente do cargo, para não interferir nas investigações, mas não foi presa, porque a investigação não conseguiu reunir provas diretas contra ela. 

Pozzobom teve busca e apreensão em sua residência e no gabinete da Prefeitura, e segue como investigado. Também não foram encontradas provas objetivas contra ele.

Em entrevista coletiva no final da tarde desta quarta-feira, visivelmente abatido, o prefeito disse estar tranquilo, que não sabia dos desvios e que é natural que ele seja investigado porque os recursos encaminhados pelos governos estadual e federal a entidades filantrópicas, obrigatoriamente, passam pelas prefeituras.

Pozzobom reiterou que não tinha conhecimento do esquema e respondeu que, a se confirmarem as acusações, Cícero Laurentino e Renata Figueiredo Campagnoli de Oliveira serão exonerados.


Como o esquema funcionava

Mesmo sem apresentar nomes, as autoridades relataram o modo com que os servidores agiam. Aceitavam notas fiscais de produtos e serviços não existentes, manipulavam documentos e permitiam o superfaturamento em compras emergenciais, sem licitação. 

As sobras das transações eram divididas entre os integrantes do esquema criminoso. 

A vereadora Ana Novais disse que as prisões são uma resposta ao trabalho de fiscalização que ela vem realizando no município. “A justiça está cumprindo o seu papel, o que é fundamental para que os recursos não sejam desviados, especialmente nesse momento tão difícil de pandemia que estamos passando”.

Ana afirmou que é inadmissível que recursos da Saúde sejam desviados. “Esperamos que a justiça seja feita”.

Fonte/Créditos: Leonardo Revesso-OBemdito

Créditos (Imagem de capa): Ricardo Trindade/Obemdito

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