CARACAS – A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, foi laureada com o Prêmio Nobel da Paz de 2025 por sua incansável luta na promoção dos direitos democráticos e no combate à ditadura em seu país. A notícia, que surpreendeu a comunidade internacional, foi recebida pela própria Machado com incredulidade.
Em uma ligação telefônica para parabenizá-la, o ex-candidato presidencial da oposição, Edmundo Gonzalez, ouviu de uma emocionada Machado que ela estava "chocada" com a escolha do comitê norueguês. "Não consigo acreditar", afirmou a líder durante a conversa.
Gonzalez, que assumiu a candidatura presidencial em 2024 após Machado ser impedida de concorrer pela justiça venezuelana, celebrou a premiação como uma vitória para todo o movimento democrático. "Estamos todos chocados de alegria. Este é um grande sucesso, um grande sucesso", respondeu ele.
De acordo com o comitê do Nobel, a premiação foi concedida a Machado por "promover os direitos democráticos e combater a ditadura". O reconhecimento destaca a resiliência e a coragem da engenheira industrial de 58 anos, que mesmo vivendo na clandestinidade e enfrentando perseguição política, continuou a ser a principal voz da oposição ao governo de Nicolás Maduro, no poder desde 2013.
Uma Campanha Sob Pressão
Apesar de ter sido inabilitada para disputar as eleições presidenciais de 2024, María Corina Machado se tornou a força motriz por trás da campanha de seu substituto, o ex-embaixador Edmundo Gonzalez. Sua participação ativa em comícios por toda a Venezuela atraiu multidões, revitalizando a esperança de mudança no país.
No entanto, sua liderança e popularidade vieram com um alto custo. Vários membros de seu círculo íntimo foram alvo de perseguição, resultando em prisões e exílio forçado. O chefe de segurança de sua campanha foi detido e seis outros membros de sua equipe buscaram refúgio na embaixada da Argentina após a emissão de mandados de prisão por parte da procuradoria venezuelana.
O Prêmio Nobel da Paz joga um novo holofote sobre a crise política e de direitos humanos na Venezuela, oferecendo um respaldo significativo à luta de María Corina Machado e da oposição por uma transição democrática no país.