A Real Academia Sueca de Ciências anunciou nesta quarta-feira (7) que o francês Henri B. Kagan e o japonês Kenso Soai são os vencedores do Prêmio Nobel de Química de 2026. A dupla foi premiada pela descoberta de efeitos não lineares e da autocatálise na síntese orgânica assimétrica, permitindo compreender como reações químicas favorecem uma entre duas formas de moléculas que são imagens espelhadas.
O conceito de moléculas espelhadas e quiralidade
Para entender a importância do prêmio, é preciso compreender a quiralidade. Muitas moléculas existem em duas versões com a mesma composição, mas que atuam como imagens espelhadas, chamadas de enantiômeros. Assim como as mãos humanas, elas não podem ser perfeitamente sobrepostas, o que altera a forma como interagem no organismo e na indústria farmacêutica.
Como a química consegue escolher um lado
Os trabalhos reconhecidos demonstram a ampliação de diferenças mínimas em reações químicas por meio de dois mecanismos principais:
- Efeitos não lineares: Estudados por Henri Kagan, mostram que a relação entre a composição quiral de um catalisador e o resultado da reação pode ser complexa e não apenas proporcional.
- Autocatálise assimétrica: Descoberta por Kenso Soai, onde o próprio produto atua como catalisador, fazendo com que uma pequena predominância inicial seja amplificada.
Impacto na origem da vida e na indústria
As pesquisas oferecem ferramentas para investigar a homoquiralidade, explicando por que sistemas biológicos preferem determinadas orientações moleculares, como os aminoácidos nas proteínas. Além disso, o controle da quiralidade é essencial na produção de medicamentos mais seguros e eficazes.
Os vencedores vão dividir o valor de 12 milhões de coroas suecas. A cerimônia oficial de entrega ocorrerá no dia 10 de dezembro, em Estocolmo, data que marca o aniversário de falecimento de Alfred Nobel.
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