Após atingir o pico de 121,4 metros na tarde de quarta-feira (14), o Rio Paraná começou a baixar nesta sexta-feira (16) em Ciudad del Este, no Paraguai, embora o cenário continue preocupante para as autoridades locais e moradores da região de fronteira.
O último boletim divulgado pela prefeitura do município paraguaio na quinta-feira aponta que o número de famílias atingidas chegou a 1.000. A expectativa é de que, até o final da tarde de sábado (17), o volume recue para, pelo menos, 119 metros.
Apesar da regressão esperada, o nível do rio ainda segue bastante acima da normalidade, que é de aproximadamente 105,5 metros. A redução depende diretamente da estabilidade do tempo, com a previsão de que a chuva dê trégua até a próxima quarta-feira (21).
Desafios nas ruas e assistência às famílias
O cenário atual ainda exige atenção rigorosa das autoridades, que seguem monitorando os pontos de inundação. A região de Ciudad del Este registra, além dos alagamentos, um grande acúmulo de lixo espalhado pelas ruas tomadas pela água.
Para amenizar a crise humanitária na cidade paraguaia, diversas medidas emergenciais foram adotadas:
- Mais de mil famílias permanecem desalojadas;
- Um total de 11 cozinhas comunitárias operam nos bairros mais atingidos;
- Garantia de alimentação adequada para as vítimas da enchente;
- Monitoramento contínuo dos níveis fluviais por órgãos especializados.
Segundo o engenheiro Paulo Zanelli Jr., coordenador da Comissão Especial de Cheias da Itaipu Binacional, o trabalho envolve dados de diversos centros meteorológicos. "Existe um certo grau de incerteza, e nem sempre as previsões de chuva se confirmam", explicou, ressaltando a necessidade de preparação para qualquer cenário.
Impactos em foz do iguacu e vazão das cataratas
Em Foz do Iguaçu, o recuo do Rio Paraná permitirá o retorno gradual das famílias afetadas na Vila Bancária, mais conhecida como Comunidade do Cemitério, situada às margens do Rio Boicy. No entanto, na região do Porto de Areia, a água deve demorar mais para regredir, mantendo o Iate Clube com os quiosques submersos.
Paralelamente, a medição nas Cataratas do Iguaçu apontava um fluxo de 10,7 milhões de litros de água por segundo na manhã desta sexta-feira (16). Embora haja uma redução significativa em relação aos 15 milhões do início da semana, o volume permanece sete vezes acima da média normal, fixada em 1,5 milhão de litros.
O Parque Nacional do Iguaçu, do lado brasileiro, continua aberto para visitação, com restrições temporárias apenas na passarela da Garganta do Diabo e na parte baixa do mirante do elevador. Do lado argentino, duas das três trilhas panorâmicas foram liberadas aos turistas nesta sexta-feira, enquanto a Garganta do Diabo permanece interditada por motivos de segurança.
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