Noite de jogo grande, Arena da Baixada lotada e ansiedade no pico. O Furacão recebia o São Paulo e o clima era incrível. Ao meu lado uma menina falante e empolgada pelo programa ao lado de seu Pai, vestida com as cores vermelha e preta, olhos atentos e com um permanente sorriso no rosto, que deixava claro sua alegria e exalava confiança. Confiança que também senti. O jogo foi tudo que esperávamos, com a torcida cantando muito e o time respondendo à altura e o adversário sentindo que ali sofreria muito, como sofreu por muitos e muitos anos na Arena. Vencemos e a festa que começou nas arquibancadas, migrou para os corredores e eu e minha filha seguimos a bateria que incendiava a torcida, saímos do estádio cantando, fomos para rua em direção ao nosso carro e vimos a torcida organizada são paulina tentando superar a barreira policial na Brasilio Itiberê. Soldados da cavalaria impediram com exímia delicadeza e muita compreensão as investidas dos indignados torcedores. Mesmo de longe vimos que o melhor para nós era a distância daquela turma que não aceitava o resultado do jogo e não possuíam espírito esportivo. Talvez a massagem que receberam tenha mudado um pouco a compreensão sobre perder e ganhar. Enfim, felizes e vitoriosos, chegamos ao carro e ao sentar-me ao seu lado e olhar em seus olhos negros e lindos, vi novamente seu sorriso e entendi que a paixão foi devidamente transmitida e ali estava mais uma fanática athleticana e nada nem ninguém mudaria este fato. Orgulho de Pai torcedor ter sua filha ou seu filho seguindo o mesmo caminho, torcendo para o mesmo time, sem dúvida. Mas é apenas um detalhe, que serve para colorir um pouco nossas vidas, mas não supera assistir aquela criança crescer e desenvolver seu intelecto, habilidades, personalidade, caráter e talentos. Hoje retorno a escrever, hoje conto uma passagem de minha vida, hoje é aniversário de minha filha Isadora e nada disso é coincidência, também não foi planejado. Escrevo para transmitir ideias que carrego e para passar emoção, para isso preciso estudar e sentir, precisa ter algum sentido e perceber que posso atingir e provocar pessoas. Um dia consegui mexer com minha filha, provoquei reações e sentimentos e abri as portas para algo novo em sua vida, que é a emoção do esporte. Assim devemos agir, provocar, mexer, instigar pessoas para que encontrem cada um o seu caminho e mesmo que não seja aquele caminho que imaginou para ela, que seja um bom caminho. Feliz aniversário, Dodó e muitas felicidades para todos que saibam usar suas qualidades e suas experiências para abrir portas e deixar os outros voarem. As imperfeições e os erros, deixo para outra Coluna, pois sem eles minha vida não teria graça e minha história perderia a credibilidade.
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