O influenciador digital Felca provocou uma onda de debates e ações legais após publicar, no dia 6 de agosto de 2025, um vídeo de cerca de 50 minutos denunciando a exploração e sexualização precoce de crianças e adolescentes nas redes sociais. O material, intitulado “adultização”, já ultrapassa 26 milhões de visualizações e cita nomes e casos específicos que geraram investigações por parte do Ministério Público da Paraíba e de autoridades policiais.
Casos revelados no vídeo
Felca define “adultização” como o fenômeno em que crianças “agem e falam como adultos”, incentivadas por influenciadores ou familiares para gerar conteúdo monetizável. Entre os exemplos citados, estão:
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Kamylinha/Hytalo Santos: participação de menor em festas adultas, uso de roupas e poses sexualizadas, incentivo a procedimentos estéticos e exposição intensa desde os 12 anos.
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Bel para Meninas: produção de conteúdos humilhantes para atrair audiência.
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Venda de conteúdo íntimo: caso de mãe que comercializava fotos e vídeos de filha adolescente em grupos do Telegram, com suspeita de envolvimento de redes pedófilas.
Ações e repercussão
Após a repercussão, o perfil de Hytalo Santos foi removido do Instagram por determinação judicial. Felca registrou boletim de ocorrência, processou cerca de 200 perfis por difamação e anunciou que toda a monetização do vídeo será doada a instituições que protegem crianças vítimas de abuso.
A deputada federal Erika Hilton declarou apoio à denúncia e afirmou que está em contato com a Polícia Federal para reforçar as investigações.
O que dizem os especialistas
A psicóloga infantil Renata Alves explica que a sexualização precoce “interrompe o desenvolvimento saudável, afeta autoestima, aumenta ansiedade e dificulta a identificação de abusos”.
Para o pedagogo Carlos Nogueira, “as plataformas digitais precisam agir de forma mais efetiva, criando mecanismos de proteção e monitoramento de conteúdos com menores de idade”.
Como denunciar
Casos de exploração ou sexualização infantil podem ser denunciados pelos seguintes canais:
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Disque 100 — Central Nacional de Denúncias de Violações de Direitos Humanos.
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Delegacia de Polícia — presencialmente ou pela delegacia virtual do seu estado.
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Conselho Tutelar — na cidade de residência.
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Ferramentas das plataformas — denunciando diretamente perfis e conteúdos.
Conclusão
A denúncia de Felca desencadeou um debate urgente sobre os limites éticos da produção de conteúdo com crianças nas redes sociais. O caso escancara como a busca por engajamento e monetização pode distorcer e antecipar a maturidade infantil. Especialistas alertam: a preservação da infância exige ação imediata — seja por meio de denúncias, pressões junto às plataformas ou políticas mais rígidas de proteção online.