Brasília – O cenário político em Brasília foi tomado por uma nova escalada de tensão na noite desta quarta-feira (17). Após a aprovação do chamado PL da Dosimetria pelo Senado Federal, a base aliada do governo Luiz Inácio Lula da Silva reagiu imediatamente, acionando o Supremo Tribunal Federal (STF) e garantindo que a proposta não passará pelo crivo presidencial.
O Cerne da Controvérsia
O Projeto de Lei, amplamente defendido pela oposição, altera os critérios de cálculo de penas (dosimetria) de crimes contra o Estado Democrático de Direito. Na prática, a medida beneficiaria diretamente os envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, reduzindo significativamente o tempo de reclusão dos condenados.
Enquanto parlamentares da oposição celebravam o que chamam de "correção de excessos judiciais", o governo classifica a medida como uma tentativa de anistia disfarçada.
Ofensiva no Judiciário
Minutos após a votação, as lideranças do PT, PSB, PCdoB e PSOL protocolaram um Mandado de Segurança junto ao STF. O pedido, direcionado ao ministro Alexandre de Moraes, sustenta que a tramitação da pauta foi marcada por "vícios formais graves".
Os principais argumentos da petição incluem:
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Violação do Bicameralismo: Alegação de que o texto não seguiu o rito constitucional obrigatório entre as casas legislativas.
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Irregularidades Processuais: Críticas à pressa e à forma como o mérito foi conduzido nas comissões.
Executivo: Veto Confirmado
A reação não se limitou ao Congresso. A ministra e deputada federal Gleisi Hoffmann, voz central na articulação política do governo, foi incisiva ao afirmar que o presidente Lula vetará integralmente a proposta.
"Condenados por atentar contra a democracia têm de pagar por seus crimes", declarou a ministra em suas redes sociais, reforçando a postura de "tolerância zero" do Executivo com os atos antidemocráticos.
Próximos Passos
O texto agora segue para a mesa do Presidente da República. Caso o veto se confirme, o Congresso ainda poderá tentar derrubá-lo em sessão conjunta, mas a batalha jurídica no STF pode suspender os efeitos do projeto antes mesmo de qualquer aplicação prática.
A decisão de Moraes sobre o Mandado de Segurança é aguardada com expectativa, pois pode paralisar o envio da matéria para sanção, gerando um novo capítulo de atrito entre o Legislativo e o Judiciário.