O metanol pode estar presente em bebidas alcoólicas como vinho e cerveja, mas geralmente em pequenas quantidades que não oferecem risco, sendo maior o perigo em bebidas destiladas e em casos de adulteração ilegal.
De acordo com Ubiracir Lima, conselheiro do Conselho Federal de Química (CFQ) e coordenador do Comitê de Apoio à Cadeia Produtiva de Insumos Químicos (CAIQ), é possível que o vinho e a cerveja apresentem metanol em sua composição. No entanto, quando os produtos são fabricados por empresas regularizadas e em processos seguros, a probabilidade de contaminação com o químico é pequena.
"A produção natural de pequenas quantidades de metanol durante a fermentação se dá pela presença de polissacarídeos na casca dessas matérias-primas [como da uva, no caso do vinho, e dos cereais, no caso da cerveja], como a pectina", explica Lima à CNN.
"A enzima pectinase transforma esse polissacarídeo em metanol, porque tem um fragmento metílico, mas é em concentrações baixas. O Ministério da Agricultura determina teor máximo para essa concentração de metanol. Ao evitar essas enzimas no processo de produção, não é gerado metanol em quantidade suficiente que cause risco à saúde".
Por outro lado, no processo de fabricação de destilados, é possível concentrar uma maior quantidade de metanol nas etapas de destilação. "Se eu tenho boas práticas de produção de destilados, e eu não separar muito bem o início e o fim da destilação, é possível ter um conteúdo com maior presença de metanol", afirma.
"Isso nos diz que, agora, é fundamental buscar fornecedor muito bem qualificado, uma empresa com processo produtivo monitorado", reforça. "Acidentes podem acontecer, mas eles são minimizados quando estou adquirindo um produto de uma empresa fiscalizada pelos órgãos responsáveis e que possui funcionários qualificados".
O especialista reforça que, pelo fato de as investigações ainda estarem em andamento, não é possível afirmar qual é a origem do metanol presente nas bebidas alcoólicas: se houve um processo falho de produção ou se a adição proposital do químico nas bebidas para baratear o processo de produção.
Sintomas e tratamento da intoxicação por metanol
Os sintomas iniciais da intoxicação por metanol aparecem, em média, de 12 a 24 horas após a ingestão da substância, segundo o Ministério da Saúde. Os sinais de alerta podem incluir:
- Dor de cabeça;
- Náuseas e vômitos;
- Dor abdominal;
- Confusão mental;
- Visão turva repentina ou cegueira, em ambos os olhos.
O tratamento adequado depende dos exames iniciais e da confirmação no laboratório. Entre as opções possíveis estão o o uso de corretores de acidez, como bicarbonato, o tratamento com vitaminas, como ácido fólico, e o uso de antídotos, como o etanol venoso, que inibe a enzima álcool desidrogenase para prevenir a formação de seus metabólitos. Seu uso está restrito aos centros de referência em intoxicação do Sistema Único de Saúde (SUS).
Outro antídoto usado para o tratamento da intoxicação por metanol é o fomepizol, porém a substância não tem registro no Brasil.
Em casos graves, a hemodiálise pode ser feita para eliminar o metanol do organismo do paciente.
Diante dos sintomas, o Ministério da Saúde orienta o paciente a procurar atendimento médico no serviço de emergência mais próximo de sua casa para a investigação diagnóstica e tratamento adequado.
Metanol em bebidas alcoólicas
O metanol é um álcool tóxico diferente do etanol, que é o álcool consumido nas bebidas. Ele pode surgir naturalmente em pequenas quantidades durante o processo de fermentação devido à escassez de materiais vegetais, como cascas de frutas no vinho ou cereais na cerveja. No entanto, essa produção natural é normalmente em níveis controlados e baixos, especialmente em processos industriais regulares. Nas bebidas fermentadas como vinho e cerveja, o risco é geralmente menor porque o teor alcoólico é mais baixo, e o processo não gera metanol em detalhes relevantes naturalmente.
Riscos de contaminação e adulteração
O grande risco de intoxicação por metanol é a adulteração criminosa das bebidas, quando o metanol industrial é adicionado puramente para aumentar o teor alcoólico ou baratear uma bebida. Isso é mais comum em destilados como cachaça, aguardente, uísque, vodca e gin, especialmente em produções clandestinas ou fora do controle oficial. As bebidas industrializadas regulares e legalizadas normalmente passam por controles rigorosos que evitam o risco de contaminação significativa por metanol.
Segurança e sintomas
Para se proteger, o consumidor deve optar por bebidas de procedimento confiável e regulamentado. Em casos de intoxicação por metanol, os sintomas podem começar como desorientação, desconforto gástrico e problemas visuais, evoluindo para sintomas graves como convulsões e falência múltipla de órgãos. A intoxicação por metanol tem causado casos graves e mortes recentes no Brasil, especialmente relacionadas a bebidas adulteradas.
Conclusão
Embora a cerveja e o vinho possam conter pequenas quantidades naturais de metanol, eles são considerados seguros quando produzidos por empresas determinadas e regularizadas. O risco real está nas adulterações ilegais, que podem contaminar qualquer tipo de bebida alcoólica.
Essa explicação visa orientar a população sobre os riscos reais, as formas de contaminação e como identificar e evitar intoxicações por metanol em bebidas alcoólicas, tema altamente relevante e de grande envolvimento atualmente.