Keiko Fujimori foi eleita presidente do Peru em uma disputa eleitoral extremamente acirrada contra o candidato de extrema esquerda Roberto Sánchez. Com mais de 99,85% das urnas apuradas, a candidata conservadora garantiu uma vantagem irreversível de cerca de 45 mil votos, consolidando sua vitória após uma apuração que se estendeu por mais de uma semana. A eleição, marcada por forte polarização, representa a quarta tentativa de Fujimori de chegar à presidência e aprofunda a guinada à direita na América do Sul.
Fujimori conquista a presidência em quarta tentativa
A candidata conservadora, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, obteve 50,11% dos votos, contra 49,88% de Roberto Sánchez. A diferença final foi de 43.386 votos, com uma pequena margem de votos ainda a serem contabilizados, segundo dados da autoridade eleitoral do Peru (ONPE). A oficialização do resultado pela autoridade eleitoral está prevista para meados de julho.
Esta vitória encerra uma longa trajetória de tentativas de Keiko Fujimori à presidência, com derrotas anteriores nos anos de 2011, 2016 e 2021. A candidata, que nesta eleição abraçou o legado de seu pai, apresentou-se como uma líder forte, capaz de impor ordem e estabilidade em um país assolado pelo aumento da criminalidade e pela desilusão com a classe política.
Cenário político tenso e contestação de resultados
A eleição foi marcada por alegações de fraude por parte de Roberto Sánchez, que sem apresentar provas, declarou que se recusaria a reconhecer os resultados. Sánchez havia solicitado a anulação de milhares de votos computados no exterior, que em sua maioria o favoreciam, mas o pedido foi rejeitado pelo júri eleitoral nacional. A divulgação dos resultados foi atrasada devido à revisão de votos contestados e à chegada tardia de votos vindos do exterior.
Fujimori assume a presidência em um momento de grande instabilidade política no Peru, país que já teve oito presidentes em oito anos. A nova líder herdará um cenário de profundas desigualdades econômicas e desilusão com a política. Dos ex-presidentes recentes, muitos enfrentaram processos de impeachment, renúncias ou estão atualmente presos, assim como o próprio pai de Keiko Fujimori, que cumpriu pena por violações de direitos humanos.
Avanço da direita na América do Sul
A eleição de Keiko Fujimori reforça a tendência de avanço da direita na América do Sul. O resultado reposiciona o Peru no atual mapa político da região, em um contexto de reconfiguração do equilíbrio entre governos conservadores e de esquerda no continente. Especialistas apontam que a preocupação dos eleitores com a criminalidade tem impulsionado candidatos de linha dura em diversos países sul-americanos.
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