Maringá iniciou nesta sexta-feira (14) uma nova mobilização para enfrentar um dos principais desafios urbanos da cidade: a violência no trânsito.
Batizado de “Maringá Pela Vida”, o movimento reúne poder público, forças de segurança, entidades empresariais e representantes da sociedade civil em torno de um objetivo central: reduzir acidentes, evitar mortes e ampliar a segurança de motoristas, motociclistas, passageiros e pedestres.
A iniciativa foi apresentada durante uma reunião realizada no Paço Municipal, onde também foram detalhadas as ações previstas no Plano de Segurança Viária de Maringá.
O encontro colocou em evidência os números dos acidentes registrados no município e apontou os principais comportamentos e locais que exigem atenção das autoridades.
Somente em 2026, 29 pessoas perderam a vida em acidentes de trânsito em Maringá, segundo os dados apresentados durante a reunião. O cenário levou a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) a ampliar as estratégias de fiscalização, engenharia de tráfego e educação para o trânsito.
Assista a entrevista com o Prefeito de Maringá Silvio Barros
Maringá registra 122 mortes de motociclistas desde 2021
Um dos principais pontos apresentados durante a reunião foi o impacto dos acidentes envolvendo motocicletas.
De acordo com o relatório apresentado pelo secretário de Mobilidade Urbana, Luciano Brito, entre 2021 e 2026 foram registradas 122 mortes de motociclistas e outras 14 mortes de passageiros de motocicletas em Maringá.
Somadas, as ocorrências envolvendo condutores e passageiros de motos representam 62% de todas as mortes registradas no trânsito da cidade no período analisado.
Os números ajudam a dimensionar a vulnerabilidade dos motociclistas no trânsito urbano. A motocicleta é um meio de transporte amplamente utilizado em Maringá, tanto para deslocamentos cotidianos quanto para atividades profissionais, especialmente no setor de entregas.
Outro dado que chama atenção é a concentração das ocorrências em determinados períodos. Os sábados, entre 18h e 23h, aparecem como a faixa de maior incidência de registros, tornando o período uma das prioridades para o reforço das ações de fiscalização.
Blitze noturnas serão reforçadas em Maringá
Como parte do Plano de Segurança Viária, a Secretaria de Mobilidade Urbana começou a ampliar as blitze realizadas durante a noite.
A fiscalização terá como foco comportamentos considerados de alto risco para a segurança viária, entre eles:
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Excesso de velocidade;
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Combinação de álcool e direção;
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Avanço de sinal vermelho;
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Uso de celular ao volante;
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Infrações relacionadas à condução de motocicletas;
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Outras condutas que possam aumentar o risco de acidentes.
Segundo Luciano Brito, as fiscalizações noturnas serão triplicadas principalmente nos locais que concentram maior número de ocorrências.
A estratégia pretende atuar justamente nos horários e pontos considerados mais críticos, utilizando os dados dos acidentes para direcionar os esforços das equipes de fiscalização.
Plano de Segurança Viária prevê mudanças em cruzamentos
Além da fiscalização, a Prefeitura de Maringá pretende realizar mudanças na infraestrutura viária para melhorar a visibilidade e reduzir situações de risco.
Uma das medidas anunciadas envolve a ampliação da visibilidade em cruzamentos considerados críticos.
A proposta é permitir que motoristas tenham mais tempo para identificar veículos que trafegam pela via preferencial. A expectativa é reduzir situações em que a falta de visibilidade contribui para colisões, especialmente em cruzamentos urbanos.
O plano também contempla medidas de engenharia de tráfego, entre elas a instalação de radares sonoros de velocidade e de lombadas modulares.
As lombadas modulares podem acelerar a implantação das estruturas em pontos que necessitam de intervenção, permitindo uma resposta mais rápida diante de locais identificados como perigosos.
Fiscalização eletrônica de avanço de sinal será ampliada
Outra medida prevista pelo município é o aumento da fiscalização eletrônica relacionada ao avanço de sinal.
A participação dos equipamentos destinados a esse tipo de fiscalização deverá passar de 13% para 16%, segundo as informações apresentadas pela Secretaria de Mobilidade Urbana.
A ampliação busca combater uma infração que pode provocar colisões de grande gravidade, principalmente em cruzamentos movimentados.
O avanço do sinal vermelho reduz significativamente o tempo de reação dos demais usuários da via e pode colocar em risco motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.
Maringá também poderá ter mudanças no sentido de ruas
O Plano de Segurança Viária inclui ainda alterações na configuração de algumas vias.
Entre as medidas está a possibilidade de transformar determinadas ruas de mão dupla em mão única, uma intervenção que pode contribuir para organizar o fluxo de veículos e diminuir conflitos entre diferentes movimentos de trânsito.
Mudanças desse tipo fazem parte das chamadas medidas de engenharia de tráfego e devem ser direcionadas principalmente para pontos onde os dados indicam maior risco de acidentes.
A proposta é utilizar as informações sobre ocorrências para estabelecer prioridades e buscar soluções específicas para cada região.
Prefeito Silvio Barros cobra responsabilidade dos motoristas
Durante a apresentação do movimento Maringá Pela Vida, o prefeito Silvio Barros destacou que a redução das mortes no trânsito não depende exclusivamente do poder público.
Para o prefeito, fiscalização, educação e obras são instrumentos importantes, mas precisam estar acompanhados de uma mudança de comportamento por parte dos condutores.
Segundo ele, imperícia, imprudência e negligência estão relacionadas a pelo menos 90% dos acidentes, conforme os dados apresentados à administração municipal.
A Prefeitura pretende endurecer as ações de fiscalização e ampliar as campanhas educativas, mas também defende o envolvimento de empresas, instituições e dos próprios usuários das vias.
A proposta do movimento é justamente transformar a segurança viária em uma responsabilidade compartilhada.
Motociclistas terão ações específicas no projeto Moto + Vida
Dentro do conjunto de medidas anunciadas, os motociclistas terão atenção específica por meio do projeto Moto + Vida.
A iniciativa prevê ações de capacitação teórica e prática para quem utiliza motocicletas, além da criação de um selo destinado a empresas que adotarem medidas de segurança para seus motociclistas.
A proposta considera a realidade de trabalhadores que utilizam a moto diariamente, principalmente profissionais que atuam com entregas.
O objetivo é estimular empresas a incorporarem procedimentos de prevenção e treinamento, contribuindo para uma cultura de segurança que ultrapasse a fiscalização realizada nas ruas.
Conhecimento técnico pode ajudar a evitar acidentes com motos
O inspetor de pilotagem Carlos Beto chamou atenção para outro aspecto considerado fundamental: o preparo técnico dos motociclistas.
Segundo ele, antes de conduzir uma motocicleta, o usuário precisa conhecer o funcionamento e as características do veículo.
Entre os problemas citados estão a falta de calibragem adequada dos pneus, a aquisição de motocicletas de alta cilindrada por pessoas sem experiência suficiente e o desconhecimento sobre técnicas de frenagem e procedimentos diante de situações de emergência.
A orientação defendida é baseada em três etapas: conhecer a si próprio, conhecer a motocicleta e conhecer o trânsito.
A formação adequada pode ser especialmente importante para motociclistas iniciantes ou profissionais que passam muitas horas circulando pela cidade.
Motoboys cobram mais rigor no cadastro de entregadores
A segurança dos profissionais que trabalham com entregas também foi destacada durante a reunião.
O presidente da Associação de Motoboys, Motogirls e Bikes, Paulo Roberto Júnior, defendeu maior rigor na seleção de motociclistas cadastrados por empresas de aplicativos.
Segundo ele, existem situações em que jovens sem experiência suficiente com entregas conseguem iniciar rapidamente a atividade profissional.
Para a entidade, a experiência e a preparação do motociclista deveriam ser consideradas antes da liberação para o trabalho.
Paulo Roberto também citou o caso de uma motociclista da associação que sofreu uma fratura na perna após ser atingida por um veículo cujo condutor estaria utilizando o celular.
O episódio reforça uma das preocupações apresentadas pelas autoridades: o uso do telefone ao volante continua sendo um comportamento de alto risco, pois reduz a atenção do motorista e compromete sua capacidade de reação.
Acidentes na Avenida Colombo aumentaram 15%
A Avenida Colombo, trecho urbano da BR-376 em Maringá, também entrou no radar das autoridades.
Durante a reunião, o inspetor-chefe da Polícia Rodoviária Federal na região Noroeste, Pedro Faria, apresentou dados sobre os acidentes registrados na rodovia.
Segundo ele, houve aumento de 15% nos acidentes na Avenida Colombo entre 2025 e 2026.
As colisões traseiras aparecem entre os principais tipos de ocorrências observadas no período.
Na avaliação apresentada durante o encontro, a falta de atenção é uma das principais causas desses acidentes. Em determinadas situações, o motorista não reage a tempo ou não consegue realizar uma manobra eficiente para evitar a colisão com o veículo que está à frente.
O cenário reforça a necessidade de atenção permanente dos condutores, principalmente em trechos urbanos de rodovias que apresentam fluxo intenso de veículos.
Maringá Pela Vida quer envolver empresas e instituições
O movimento Maringá Pela Vida não será restrito às ações desenvolvidas diretamente pela Prefeitura.
A iniciativa também pretende envolver empresas, instituições e entidades da sociedade civil, que receberão materiais educativos para desenvolver campanhas internas de conscientização.
A ideia é ampliar o alcance das mensagens de segurança viária para além das ruas, levando a discussão para ambientes de trabalho, empresas, associações e organizações.
Durante a reunião, representantes de diferentes forças de segurança e instituições apresentaram sugestões para melhorar a proteção de motoristas e pedestres.
As entidades participantes também foram convidadas a preencher um formulário eletrônico com propostas consideradas viáveis para contribuir com a redução de acidentes.
Forças de segurança participam da construção das ações
A estratégia apresentada pela Prefeitura conta com a participação de diferentes órgãos e instituições.
Representantes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Civil, entre outras forças, participaram da reunião e contribuíram com sugestões.
A integração entre os órgãos é considerada importante porque os acidentes de trânsito envolvem diferentes etapas: prevenção, fiscalização, atendimento às vítimas, investigação e educação.
Ao reunir essas instituições em torno de um mesmo objetivo, o município busca construir uma estratégia mais integrada de segurança viária.
Educação e fiscalização são pilares para reduzir mortes no trânsito
O conjunto de medidas anunciado para Maringá combina três frentes principais: fiscalização, engenharia de tráfego e educação.
A fiscalização busca combater comportamentos perigosos.
As intervenções de engenharia pretendem modificar características físicas das vias para diminuir situações de conflito.
Já as campanhas educativas têm como objetivo estimular mudanças de comportamento entre os usuários das ruas e avenidas.
A combinação dessas estratégias é particularmente importante diante do perfil das ocorrências apresentadas no município, com forte participação de motociclistas entre as vítimas fatais.
Maringá Pela Vida coloca segurança no trânsito como prioridade
O lançamento do movimento Maringá Pela Vida ocorre em um momento de preocupação com o número de mortes registradas no trânsito da cidade.
Os dados apresentados durante a reunião mostram que os motociclistas representam uma parcela significativa das vítimas fatais e que determinados horários, especialmente as noites de sábado, concentram ocorrências.
Ao mesmo tempo, o crescimento dos acidentes na Avenida Colombo e a ocorrência de colisões traseiras demonstram que diferentes problemas exigem respostas específicas.
A Prefeitura pretende utilizar os dados para direcionar fiscalização, campanhas e intervenções viárias.
A mensagem central do movimento é que cada acidente evitado representa uma vida preservada.
Com o reforço das blitze noturnas, ampliação da fiscalização eletrônica, mudanças na infraestrutura viária, capacitação de motociclistas e participação de empresas e instituições, o município busca transformar a segurança no trânsito em uma política permanente.
Quem participou da reunião do Maringá Pela Vida
Além das autoridades responsáveis pela apresentação do plano, participaram do encontro representantes de diferentes setores da sociedade maringaense.
Entre os presentes estavam a primeira-dama e presidente do Pra Somar, Bernadete Barros; a vice-prefeita, Sandra Jacovós; a presidente da Câmara Municipal, vereadora Majô; o vereador Angelo Salgueiro; o presidente do Conselho de Segurança de Maringá (Conseg), José Triana; o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim), José Barbieri; o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sindhotel), Genir Pavan; e o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Rafael Cecato.
A participação dessas entidades reforça a proposta de ampliar o debate para diferentes segmentos da sociedade.
Segurança no trânsito depende de todos
O Maringá Pela Vida nasce com a proposta de transformar os dados sobre acidentes em ações concretas. O desafio é reduzir o número de mortes e, ao mesmo tempo, modificar comportamentos que aumentam os riscos nas ruas e avenidas.
Para isso, a Prefeitura deverá ampliar a fiscalização, implementar mudanças de engenharia, fortalecer campanhas educativas e desenvolver ações específicas para motociclistas.
Mas a estratégia também depende da participação de quem utiliza diariamente o trânsito de Maringá.
Respeitar os limites de velocidade, não dirigir após consumir álcool, não utilizar o celular ao volante, respeitar a sinalização, manter atenção aos cruzamentos e adotar uma condução defensiva são atitudes que podem fazer diferença entre uma viagem segura e um acidente.
Diante dos números apresentados, a mobilização pretende colocar a preservação da vida no centro das políticas de trânsito de Maringá.
Maringá Pela Vida é, portanto, uma convocação para que poder público, empresas, forças de segurança, motociclistas, motoristas, pedestres e toda a sociedade assumam conjuntamente a responsabilidade por um trânsito mais seguro.
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