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Sábado, 18 de Abril 2026

Justiça

Pai que tentou "desintoxicar" filho de celular e TV em mata de SC pode ser preso

Caso em Balneário Camboriú levanta debate sobre os limites do poder familiar e os riscos do vício digital

Clécio Silva
Por Clécio Silva
Pai que tentou
Reprodução
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Caso em Balneário Camboriú levanta debate sobre os limites do poder familiar e os riscos do vício digital entre adolescentes. Pai americano está sob investigação por possível cárcere privado e maus-tratos.

Balneário Camboriú, SC – Uma tentativa drástica de "desintoxicação digital" pode levar um pai americano à prisão em Santa Catarina. Mark Alexander, de 48 anos, foi encontrado com seu filho, Duncan Edward, de 13 anos, em uma área de mata em Balneário Camboriú, após dias desaparecidos. À polícia, o pai confessou que o objetivo do isolamento era afastar o adolescente do vício em celular e televisão.

O caso, que inicialmente foi tratado como um desaparecimento, ganhou contornos complexos e acendeu um alerta sobre os limites do poder dos pais na era digital. Mark Alexander está sendo investigado e pode ser indiciado por crimes como cárcere privado e maus-tratos.

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A dupla foi localizada por equipes do Corpo de Bombeiros na terça-feira (2), acampados na mata. O carro da família e os celulares de pai e filho já haviam sido encontrados abandonados nas proximidades, o que intensificou as buscas.

Segundo as autoridades, o adolescente foi encaminhado ao Conselho Tutelar e, por medida de proteção, está temporariamente sob os cuidados de um casal amigo da família. A situação do pai é mais delicada. Dependendo do andamento das investigações da Polícia Civil, ele pode enfrentar penas que variam desde a prestação de serviços comunitários até a interdição temporária de seus direitos como pai e a perda de bens.

Comportamento Estranho e Fim do Mundo

A investigação tomou um rumo ainda mais inusitado com relatos de pessoas próximas à família. De acordo com informações preliminares, Mark Alexander vinha apresentando um comportamento errático nos últimos meses, com discursos sobre "extraterrestres, meteoros e o fim do mundo". Há também a informação, ainda não confirmada oficialmente, de que ele faria uso de substâncias como cogumelos.

Esses elementos adicionam uma camada de complexidade ao caso, que deixa de ser apenas uma questão de um pai preocupado com o uso excessivo de tecnologia pelo filho. As autoridades agora avaliam se as ações de Mark foram motivadas por um plano de "detox" radical ou se são reflexo de um estado mental alterado.

O Debate: Onde Termina o Cuidado e Começa o Crime?

O caso de Balneário Camboriú joga luz sobre um dilema cada vez mais presente na sociedade contemporânea: como lidar com o vício digital de crianças e adolescentes? Especialistas concordam que o uso excessivo de telas é prejudicial ao desenvolvimento, mas as opiniões se dividem sobre a validade e a legalidade de medidas extremas como a adotada pelo pai americano.

Advogados da área de direito da família alertam que, embora os pais tenham o dever de educar e proteger seus filhos, ações que coloquem a criança ou o adolescente em risco, os isolem ou os privem de sua liberdade de forma arbitrária podem ser caracterizadas como crime. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é claro ao garantir o direito ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Por outro lado, psicólogos infantis destacam a crescente angústia de pais que não sabem como impor limites aos filhos no mundo digital. O "detox digital" é uma prática recomendada por muitos, mas deve ser feita de forma gradual, com diálogo e, se necessário, com acompanhamento profissional, e não por meio de medidas coercitivas e isolamento.

Enquanto a Polícia Civil de Santa Catarina aprofunda as investigações, a história de Mark e Duncan serve como um caso emblemático dos desafios da paternidade no século XXI. A linha que separa o cuidado zeloso do ato criminoso se mostra cada vez mais tênue quando a tecnologia está no centro das relações familiares. A decisão da Justiça sobre o futuro deste pai americano será um importante precedente sobre até onde vai o poder dos pais para "desconectar" seus filhos.

FONTE/CRÉDITOS: Clécio Silva
Clécio Silva

Publicado por:

Clécio Silva

Clécio Silva, Brasileiro, casado, cristão. Residente em Maringá há 34 anos. Apresentador, comunicador, empresário e jornalista com registro profissional nº 0011449/PR. Está na área de comunicação há 36 anos, sendo 29 como profissional.

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