A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira, 7, a quinta fase da Operação Compliance Zero, mirando pela primeira vez o núcleo político por suspeitas de crimes envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. Um mandado de busca e apreensão está sendo cumprido contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do partido, em uma ação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
A investigação avança sobre possível ligação entre iniciativas legislativas do parlamentar e interesses do banqueiro, após a descoberta de mensagens e indícios de favorecimento ao Banco Master.
Detalhes da operação e o alvo político
Esta nova etapa da Operação Compliance Zero representa um marco, ao focar diretamente em figuras políticas. O senador Ciro Nogueira, uma figura proeminente no cenário político nacional, é o principal alvo desta fase.
A ação da PF busca coletar mais evidências que possam esclarecer a natureza da relação entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Indícios e diálogos sob investigação
Conforme revelado pelo jornal Estadão, a Polícia Federal encontrou no celular de Daniel Vorcaro diálogos com o senador e ordens de pagamento destinadas a uma pessoa identificada apenas como Ciro, sem sobrenome. À época das primeiras revelações, o parlamentar confirmou conhecer o banqueiro, mas negou qualquer proximidade ou recebimento de valores.
Mensagens posteriores, contudo, indicam um relacionamento mais próximo. Em uma delas, Vorcaro se refere ao senador como “um grande amigo de vida” e expressa satisfação com uma iniciativa legislativa de Ciro Nogueira que, supostamente, beneficiaria o banco.
A 'bomba atômica' e a emenda do FGC
Uma das mensagens interceptadas, datada de 13 de agosto de 2024, menciona o que o banqueiro chamou de “bomba atômica no mercado financeiro”. A data coincide com a apresentação de uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia financeira do Banco Central, proposta pelo senador Ciro Nogueira.
A emenda previa a elevação do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF. Essa proposta foi interpretada por membros do mercado financeiro e por políticos como um dos primeiros sinais claros de favorecimento ao Banco Master no Congresso.
A ampliação da cobertura do FGC era uma estratégia-chave do banco para atrair investidores para seus Certificados de Depósito Bancário (CDBs), conforme já havia sido noticiado pelo Estadão em agosto do ano passado.
Contexto da operação e delações em andamento
Esta é a quinta fase da Operação Compliance Zero. Sua deflagração ocorre na mesma semana em que a defesa de Daniel Vorcaro apresentou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República uma proposta de delação premiada, que ainda está sob análise. A PF esclarece que esta nova etapa não tem relação direta com os fatos citados na proposta de delação, que, no momento, não possui valor probatório.
Na quarta fase da operação, realizada em 16 de abril, a PF prendeu o ex-presidente do Banco Regional de Brasília, Paulo Henrique Costa, que também iniciou negociações para um acordo de delação premiada.
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