Cada missão da FAB no transporte de órgãos representa a convergência entre logística militar, responsabilidade social e suporte essencial à medicina brasileira.
A cena se repete com frequência: o relógio marca poucos minutos para a cirurgia e um órgão vital ainda precisa cruzar centenas de quilômetros. Quando cada segundo é precioso, entra em ação uma das missões mais nobres da aviação militar brasileira: o transporte aéreo de órgãos pela Força Aérea Brasileira (FAB).
Logística de precisão para salvar vidas
A responsabilidade dessas operações humanitárias recai, em muitos casos, sobre o Segundo Esquadrão de Transporte Aéreo (2º ETA), conhecido como Esquadrão Pastor. Com sede na Base Aérea de Natal (BANT), o esquadrão é equipado com aeronaves leves e versáteis, como o C-98 Caravan, que são ideais para pousos em pistas curtas e regiões de difícil acesso.
O processo é altamente coordenado: as Centrais Estaduais de Transplantes, junto ao Sistema Nacional de Transplantes, informam a FAB sobre a disponibilidade do órgão e os dados logísticos — como o local da captação, tempo de isquemia permitido (tempo em que o órgão pode ficar fora do corpo humano) e o hospital de destino. A FAB então ativa um protocolo emergencial, coloca tripulações de sobreaviso e posiciona aeronaves estrategicamente para dar início imediato à missão.

Três missões em três dias: eficiência comprovada
Entre os dias 13 e 15 de julho de 2025, o Esquadrão Pastor realizou três missões consecutivas para transportar órgãos vitais. No dia 13, um fígado foi transferido de Campo Formoso (BA) para Recife (PE) a bordo de um C-98 Caravan. No dia seguinte, outro fígado foi levado de Serra Talhada (PE) também para Recife.
A terceira missão, no dia 15, foi ainda mais complexa: um fígado e um rim foram transportados juntos, também a partir de Serra Talhada com destino à capital pernambucana. As três operações exigiram atuação rápida e precisa da equipe da FAB, garantindo que os órgãos chegassem aos seus destinos dentro do tempo ideal para transplante.