Um eventual retorno de Lula (PT) ao comando do Brasil não está apenas abalando o mercado de investimentos e a Bolsa, a tensão aumenta também - e talvez, principalmente - nas propriedades rurais.
João Pedro Stédile, um dos líderes nacionais do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), admitiu, em entrevista a um podcast, esta semana, que o retorno de Lula à presidência do Brasil pode, de fato, dilatar as ocupações em todo o país.
"Eu acho que a vitória do Lula, que se avizinha, ela vai ter como consequência natural, psicossocial nas massas, um reânimo para nós retomarmos as grandes mobilizações de massa.
Porque movimento de massa não é só fazermos passeata. É quando a classe trabalhadora recupera a iniciativa na luta de classes. Então, ela passa a atuar na defesa dos seus direitos de mil e uma formas: fazendo greves, ocupações de terra e de terreno, mobilizações" - afirmou.
O maior número de invasões de terra no Brasil se deu durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), segundo dados do Incra. Foram 2.442 ocupações ilegais. Na gestão de Lula (PT), o montante caiu para 1.968, mas, ainda assim era grande. Já com Dilma no comando, o MST ocupou 912 áreas. Com Michel Temer (MDB), esse montante despencou para 111 e no Governo de Jair Bolsonaro (PL), houve apenas 62 invasões; porque o atual presidente preferiu entregar os títulos das terras aos assentados. Assim, eles ficam livres para solicitar crédito e empréstimo nos bancos federais ou mesmo vender a propriedade, se quiserem.

ASSISTA O VÍDEO:
Declaração de líder do MST eleva a tensão com a possibilidade da retomada das invasões no campo. João
Pedro Stédile disse que os trabalhadores rurais podem aumentar as ocupações de terras caso Lula seja
eleito #JornalDaRecord