O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) registrou placar de 3 a 0 nesta quarta-feira (30), em plenário virtual, para manter a decisão do ministro André Mendonça pela remoção de publicações com a informação falsa de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria articulado a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A medida, tomada inicialmente na última sexta-feira (25), atinge mais de mil links e prevê multa de R$ 50 mil para plataformas que descumprirem a determinação.
O julgamento ocorre em caráter liminar e precisa ser referendado pela maioria dos sete ministros da Corte. Até o momento, o voto de Mendonça pela manutenção da ordem foi acompanhado pelo presidente do tribunal, Nunes Marques, e pelo ministro Dias Toffoli.
A defesa da decisão por André Mendonça
No voto apresentado, o ministro rebateu os argumentos utilizados anteriormente pelo ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que havia suspendido a liminar. Mendonça classificou como irresponsável atribuir às decisões da Justiça Eleitoral qualquer cerceamento à liberdade religiosa ou censura prévia.
Segundo o relator, a medida recaiu exclusivamente sobre conteúdos com base factual comprovadamente falsa. Entre os pontos destacados pelo magistrado, estão:
- Nenhuma decisão determinou a retirada de conteúdos gerais sobre Nossa Senhora Aparecida;
- Manifestações de fé e críticas à família do candidato continuam totalmente livres;
- Não houve suspensão de perfis, contas ou canais nas redes sociais;
- A ordem atingiu apenas a reprodução específica de uma narrativa falsa sobre a atuação política.
Entenda o imbróglio jurídico e as reviravoltas
A polêmica teve início em 23 de setembro, quando circularam nas redes sociais afirmações de que Flávio Bolsonaro retiraria o título da padroeira caso fosse eleito presidente. O boato utilizou falas reais do político nas quais ele afirmava que decretaria que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo.
Após a concessão da liminar por Mendonça, o ministro Flávio Dino atendeu a um pedido externo e derrubou a ordem, gerando um atrito institucional entre integrantes do STF e do TSE. A situação ganhou novo capítulo quando o ministro Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu as determinações da Justiça Eleitoral, questionando o procedimento adotado pelo colega de Supremo.
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