A Câmara Municipal de Maringá deve retomar os trabalhos em fevereiro sob o peso de uma "batata-quente" jurídica e política. O vereador Lemuel do Salvando Vidas (PDT), eleito com o discurso de protetor dos animais, foi condenado pela 7ª Vara Cível por dano moral coletivo.
A sentença revela um esquema de captação irregular de recursos e, ironicamente, negligência com os animais que ele prometia proteger.
O "Teatro" das Redes Sociais e a ONG Inexistente
Segundo a decisão da juíza Daniela Palazzo Chede Bedin, Lemuel utilizou a comoção pública para lucrar. Entre 2021 e 2022, ele promoveu campanhas de arrecadação para uma suposta ONG chamada “Salvando Vidas”. O problema? A entidade não existia legalmente.
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Uso Indevido: Imagens de animais feridos eram expostas para sensibilizar doadores.
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Destino do Dinheiro: O Ministério Público do Paraná (MPPR) aponta que grande parte dos recursos foi usada para benefício próprio.
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Consequência Fatal: A falta de assistência adequada resultou no sofrimento e na morte de animais por omissão e maus-tratos.
A Sentença: Bolso e Proibições
A condenação impõe sanções severas ao parlamentar, que foi eleito em 2024 com 1.785 votos:
| Penalidade | Detalhes |
| Indenização Pecuniária | R$ 100 mil (corrigidos pelo IPCA e Selic). |
| Destinação do Recurso | Fundo Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Fundema). |
| Proibição Digital | Impedido de pedir doações em redes sociais ou WhatsApp. |
| Multa por Descumprimento | R$ 500 por dia (até o limite de R$ 500 mil). |
"A condenação reflete a violação da confiança da coletividade e a exploração de uma causa nobre para fins escusos."
Pressão na Câmara Municipal
A decisão, proferida em 15 de janeiro, coloca o Legislativo maringaense em uma posição desconfortável. Embora ainda caiba recurso, a condenação por maus-tratos e falta de transparência fere diretamente o decoro esperado de um representante público, especialmente um que baseou sua campanha inteira na causa animal.
O que vem a seguir? Com o retorno das sessões em fevereiro, a pressão popular e de entidades de proteção animal deve ditar o ritmo de possíveis processos internos no Conselho de Ética da Casa.