A disputa na Geórgia por dois assentos no Senado, que definirá quanto poder de fato o governo Biden terá para fazer mudanças, acontece menos de 48 horas depois da revelação de uma ligação telefônica entre o presidente Donald Trump e o secretário de Estado, Brad Raffensperger, na qual o presidente, em meio a acusações e falsas alegações de fraude eleitoral, afirma: "tudo que eu quero fazer é isso: só quero encontrar 11.780 votos, um a mais do que nós temos. Porque ganhamos o Estado".
Historicamente republicana, a Geórgia deu em 2020 vitória a um presidenciável democrata pela primeira vez em 28 anos. Biden venceu por margem de menos de 12 mil votos, a segunda menor diferença entre ele e Trump em um Estado. A disputa foi tão apertada que obrigou a um segundo turno entre os candidatos a senadores, por isso o pleito fora de hora.
A Geórgia também se converteu no principal campo de batalha de Trump em sua tentativa de reverter a derrota eleitoral ao longo dos últimos dois meses. Embora sozinho o Estado não possa garantir a ele o número de delegados no Colégio Eleitoral para virar o jogo, o fato de a Geórgia ser governada por republicanos aumentou o inconformismo do presidente quanto aos resultados.
Trump tem acusado sistematicamente o governador do Estado, seu correligionário Brian Kemp, de acobertar supostas fraudes que o levaram à derrota. Na última semana, chegou a pedir que Kemp renunciasse. Tudo isso aumentou o grau de incerteza sobre uma disputa já acirrada, na qual os republicanos eram originalmente favoritos.
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