São José dos Pinhais, PR – Uma descoberta assustadora mobilizou as forças policiais na Região Metropolitana de Curitiba. Um pescador que estava às margens do Rio Miringuava, em São José dos Pinhais, encontrou dois crânios humanos em meio a velas brancas e vermelhas, em um cenário que a Polícia Civil do Paraná (PCPR) acredita ser um ritual religioso que foi interrompido. A principal linha de investigação aponta para o crime de vilipêndio de cadáver, levantando a suspeita de que os restos mortais tenham sido furtados de um cemitério.
O caso veio à tona na última segunda-feira (1°), quando o pescador, ao percorrer a rua Antonio Singer, se deparou com a cena macabra. Um dos crânios estava dentro de um saco preto, enquanto o outro estava exposto ao lado. Em estado de choque, o homem acionou imediatamente a polícia.
Polícia Descarta Homicídio e Foca em Violação de Sepultura
No local, as equipes policiais constataram a veracidade da denúncia. Segundo o delegado Fábio Machado, da PCPR, a hipótese de um homicídio recente foi prontamente descartada. "Não há possibilidade de se tratar de homicídio, pois os restos mortais são muito antigos, de no mínimo seis meses", afirmou o delegado.
Com isso, a investigação se concentrou no crime de vilipêndio de cadáver, previsto no Artigo 212 do Código Penal Brasileiro. O delito consiste em "vilipendiar cadáver ou suas cinzas", ou seja, tratar com desprezo, ultraje ou desrespeito os restos mortais de uma pessoa. A pena para este crime é de detenção de um a três anos, além de multa.
A principal suspeita é que os crânios tenham sido removidos de um sepulcro. "A PCPR busca casos de invasão de cemitérios em São José dos Pinhais para tentar encontrar quem tomou os crânios", explicou Machado. A presença das velas brancas e vermelhas é o principal indicativo que reforça a tese de que os objetos seriam utilizados em uma cerimônia religiosa que, por algum motivo, "deu errado", segundo as apurações iniciais.
Os crânios foram recolhidos e encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba. A perícia tentará obter mais informações sobre a origem dos restos mortais e, se possível, a identificação das vítimas, o que poderia levar à localização do cemitério violado e, consequentemente, aos autores do crime.
A comunidade local está abalada com a notícia, que traz à tona a discussão sobre a segurança em cemitérios da região e o desrespeito aos mortos. A polícia segue com as investigações para elucidar o caso e responsabilizar os envolvidos no ato.