Aguarde, carregando...

Quinta-feira, 04 de Junho 2026
Saúde

Aumento de casos de vírus sincicial respiratório gera preocupação; saiba mais

Análise da Fiocruz indica que, entre março e abril, o rinovírus foi detectado em 40,8% dos casos positivos, o Influenza A em 30,7% e o vírus sincicial respiratório em 19,9%.

Camila Ventura
Por Camila Ventura
Aumento de casos de vírus sincicial respiratório gera preocupação; saiba mais
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Um boletim recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta para um cenário de alerta em 18 estados brasileiros e no Distrito Federal, com risco elevado ou moderado de casos graves de síndromes gripais. Desses locais, pelo menos 13 apresentam uma tendência de crescimento nas notificações nas próximas semanas.

Os dados coletados entre 29 de março e 4 de abril revelam que o rinovírus, agente comum de resfriados, foi identificado em 40,8% das amostras positivas. O Influenza A apareceu em 30,7%, enquanto o vírus sincicial respiratório (VSR), conhecido por afetar o sistema respiratório e os pulmões, especialmente em recém-nascidos, mas também preocupante para idosos, foi detectado em 19,9% dos casos.

Conforme o Ministério da Saúde, o VSR é um patógeno frequente que causa infecções em indivíduos de todas as idades, mas com maior severidade em bebês, idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido.

Leia Também:

No Brasil e em outras nações, a circulação do VSR intensifica-se em certas épocas do ano, podendo manifestar-se desde sintomas leves até quadros respiratórios severos que necessitam de hospitalização, como a síndrome respiratória aguda grave (SRAG).

“O VSR é altamente contagioso e afeta o trato respiratório. Constitui uma das principais causas de bronquiolite viral aguda em crianças com menos de 2 anos e pode ser responsável por um número significativo de internações”, alertou o ministério.

No início desta semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a expansão do uso da vacina Arexvy, fabricada pela Glaxosmithkline Brasil Ltda, para adultos a partir dos 18 anos. O imunizante, disponível na rede privada, visa prevenir doenças do trato respiratório inferior causadas pelo vírus.

Aprovada em 2023, a Arexvy foi a primeira vacina contra essa doença no país, mas sua indicação inicial era restrita a adultos com 60 anos ou mais.

“O vírus sincicial respiratório é um importante agente etiológico de infecções respiratórias ao longo da vida, podendo levar a doenças do trato respiratório inferior, com impacto clínico relevante em adultos, especialmente na presença de comorbidades, além de representar risco aumentado de hospitalização e complicações respiratórias em faixas etárias mais avançadas”, avaliou a Anvisa.

“A ampliação da indicação para adultos a partir de 18 anos foi fundamentada em estudos clínicos adicionais de imunogenicidade comparativa, que demonstraram não serem inferiores à resposta imune em adultos mais jovens, em comparação à população com mais de 60 anos”, acrescentou.

Transmissão

A disseminação do vírus sincicial respiratório ocorre predominantemente por meio de gotículas respiratórias e pelo contato direto com secreções de indivíduos infectados. Isso inclui o toque em superfícies ou objetos contaminados e, subsequentemente, o contato com olhos, nariz ou boca. A transmissão pode acontecer:

- Quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala;

- Por proximidade física com pessoas doentes;

- Ao tocar em mãos ou superfícies contaminadas.

Sintomas

Os sintomas provocados pelo vírus sincicial respiratório geralmente se assemelham aos de um resfriado comum, mas podem agravar-se em grupos de risco, especialmente em crianças menores de 2 anos. Os sinais mais frequentes incluem:

- Coriza;

- Tosse;

- Espirros;

- Febre;

- Congestão nasal;

- Sibilos no peito.

Em casos mais severos, os sintomas podem incluir:

- Respiração acelerada ou dificultosa;

- Perda de apetite ou dificuldade para se alimentar;

- Cianose (coloração azulada ou arroxeada na pele, lábios ou extremidades dos dedos);

- Alterações no estado mental, como irritabilidade ou sonolência.

“Em bebês, o VSR pode desencadear bronquiolite viral aguda, uma inflamação dos bronquíolos, que são as pequenas vias aéreas dos pulmões”, informou o ministério.

Grupos mais vulneráveis

Certos grupos, segundo o Ministério da Saúde, têm maior propensão a desenvolver quadros graves ao serem infectados pelo vírus sincicial respiratório. Estes incluem:

- Crianças com menos de 2 anos, particularmente as com menos de 6 meses;

- Prematuros;

- Crianças com doenças cardíacas ou pulmonares crônicas;

- Crianças com condições neurológicas, síndrome de Down ou anomalias nas vias aéreas;

- Idosos;

- Indivíduos com condições que comprometem o sistema imunológico.

Diagnóstico

Na maioria das situações, o diagnóstico do vírus sincicial respiratório é realizado clinicamente, com base na análise do histórico médico e dos sinais e sintomas apresentados pelo paciente.

Em cenários específicos, como em pacientes hospitalizados com quadros mais graves, podem ser empregados exames de biologia molecular (RT-PCR em tempo real) para identificar o vírus em amostras respiratórias.

Tratamento

O Ministério da Saúde reitera que não há um medicamento específico para tratar o vírus sincicial respiratório. O manejo clínico é de suporte e ajustado à gravidade do quadro.

O tratamento pode abranger:

- Hidratação adequada;

- Controle da febre;

- Higienização nasal;

- Hospitalização e administração de oxigênio suplementar em casos mais severos.

Prevenção

A pasta enfatiza que medidas simples são eficazes na prevenção da infecção e da propagação do vírus sincicial respiratório. Entre elas estão:

- Lavagem frequente das mãos com água e sabão;

- Evitar contato próximo com indivíduos gripados ou resfriados;

- Higienização e desinfecção de objetos e superfícies de uso frequente;

- Evitar aglomerações, especialmente para bebês e idosos;

- Manter os ambientes bem ventilados.

“Para a proteção de bebês, é fundamental manter a vacinação e as consultas de rotina atualizadas, priorizar o aleitamento materno sempre que viável e evitar a exposição à fumaça de cigarro.”

Vacinação em gestantes

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina contra o VSR para gestantes com o propósito de proteger o bebê nos primeiros meses de vida. O imunizante é administrado em dose única a partir da 28ª semana de gestação.

Após a imunização, a gestante desenvolve anticorpos que são transmitidos ao feto pela placenta, garantindo proteção passiva ao recém-nascido. Essa estratégia, segundo o Ministério da Saúde, diminui o risco de formas graves da doença e de hospitalizações por VSR nos primeiros seis meses de vida do bebê.

Imunização de bebês

Bebês, especialmente os prematuros e com comorbidades, podem receber pelo SUS anticorpos prontos contra o vírus sincicial respiratório, conhecidos como anticorpos monoclonais, que auxiliam na proteção contra formas graves da infecção.

O palivizumabe é administrado por injeção, uma vez ao mês, durante o período de maior circulação do vírus, seguindo diretrizes estabelecidas pelo ministério. Atualmente, o palivizumabe está em processo de substituição pelo nirsevimabe, um novo medicamento.

O nirsevimabe foi desenvolvido para conferir proteção aos bebês contra o VSR por um período prolongado, necessitando de apenas uma dose para assegurar proteção durante toda a temporada de maior circulação viral. Sua principal vantagem reside na duração da proteção, eliminando a necessidade de múltiplas aplicações.

“No SUS, o nirsevimabe será disponibilizado para bebês prematuros e crianças com condições de saúde específicas, que apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença causada pelo VSR, nascidos a partir de fevereiro de 2026”, informou a pasta.

FONTE/CRÉDITOS: Por Camila Ventura - Redação Paraná Urgente

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR