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Terça-feira, 21 de Abril 2026

Economia

BC mantém projeção de 1,6% para o PIB em 2026

Relatório do BC indica que conflitos no Oriente Médio podem impactar crescimento e inflação, mas beneficiar o setor petrolífero.

Portal Paraná Urgente
Por Portal Paraná Urgente
BC mantém projeção de 1,6% para o PIB em 2026
© Marcello Casal JrAgência Brasil
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O Banco Central (BC) reiterou sua estimativa de 1,6% para o crescimento econômico em 2026. No Relatório de Política Monetária, publicado nesta quinta-feira (26), a instituição enfatizou, contudo, que essa projeção para o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a totalidade de bens e serviços finais produzidos no país, está envolta em “maior incerteza” devido aos possíveis desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio.

Conforme o documento do BC, “se o conflito persistir, seus efeitos mais notáveis, tanto no cenário doméstico quanto internacional, tendem a configurar um choque de oferta adverso, impulsionando a inflação e freando o crescimento. Apesar disso, segmentos específicos da economia brasileira, em particular o setor petrolífero, podem registrar ganhos”.

A autarquia complementou que “uma interrupção prolongada na cadeia de distribuição de mercadorias e uma redução persistente na capacidade produtiva da região podem gerar um impacto considerável e de longo prazo sobre os preços e a atividade econômica”.

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A projeção do PIB para o primeiro trimestre deste ano mantém o patamar apresentado no relatório de dezembro. O relatório esclarece que “a estabilidade na previsão de crescimento anual é resultado de um quarto trimestre de 2025 que se alinhou às expectativas, somada à projeção de uma expansão trimestral contida ao longo de 2026”.

O Banco Central detalhou que “esse panorama é influenciado por uma política monetária restritiva, caracterizada por juros elevados, pela baixa taxa de ociosidade dos fatores produtivos, pela previsão de desaceleração da economia mundial e pela ausência do forte estímulo do agronegócio visto em 2025”.

Em 2025, o Produto Interno Bruto brasileiro registrou um crescimento de 2,3%, com todas as áreas econômicas expandindo-se, mas com a agropecuária sendo o principal motor dessa alta.

Para 2026, a autarquia considera ainda os impactos de iniciativas recentes destinadas a fortalecer a demanda interna. Entre elas, destacam-se o reajuste real do salário mínimo e a ampliação da faixa de isenção ou desconto no Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) para rendimentos de até R$ 5 mil ou R$ 7 mil.

Paralelamente, o mercado de trabalho mantém seu dinamismo, evidenciado pela redução da taxa de desemprego e pelo incremento dos rendimentos.

O documento do BC detalha as orientações estratégicas do Comitê de Política Monetária (Copom) para estabelecer a taxa básica de juros, a Selic. Ele também analisa o desempenho econômico recente e as projeções futuras, com foco especial na inflação. A Selic constitui a ferramenta primordial do Banco Central para gerenciar e conter a inflação.

Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a Selic sofreu sete aumentos consecutivos, permanecendo inalterada nas cinco reuniões subsequentes do Copom. Contudo, após um extenso período de estabilidade em 15% ao ano, a taxa foi ajustada para 14,75% ao ano na semana anterior.

Em face das incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio, o Banco Central sinaliza a possibilidade de reavaliar o ciclo de redução da Selic, se as circunstâncias exigirem.

Inflação

O Banco Central destaca que a inflação está prevista para ascender até o final de 2026, iniciando em seguida uma trajetória de declínio até o horizonte considerado relevante, mas ainda se mantendo acima do objetivo. A meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, variando, portanto, entre 1,5% e 4,5%.

Conforme a autarquia, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve como balizador oficial da inflação no Brasil, deve encerrar o ano em 3,6%, “em grande parte impulsionado pela elevação dos preços do petróleo”.

Neste Relatório de Política Monetária, a chance de a inflação exceder o limite superior da meta (4,5%) em 2026 foi revista para cima, passando de 23% para 30%.

O documento indica que, a partir do próximo ano, a inflação retomará a queda, atingindo 3,1% no último período analisado, o terceiro trimestre de 2028. O BC afirma que “no horizonte considerado relevante para a política monetária, que abrange o terceiro trimestre de 2027, a inflação estimada é de 3,3%”.

Crédito

A estimativa para a expansão do volume de crédito concedido a indivíduos e empresas em 2026 foi elevada de 8,6% para 9%. Esse avanço é majoritariamente impulsionado pela performance superior ao previsto do crédito livre para pessoas físicas e do crédito direcionado para pessoas jurídicas. As previsões para esses setores foram ajustadas em 0,5 ponto percentual, alcançando 9,5% e 11,5%, respectivamente.

No segmento de crédito livre, as instituições bancárias possuem liberdade para aplicar os recursos captados no mercado e estabelecer as taxas de juros aplicadas aos seus clientes. Em contrapartida, o crédito direcionado, cujas normas são regulamentadas pelo governo, é predominantemente direcionado aos setores de habitação, agronegócio, infraestrutura e ao microcrédito.

Ainda que a projeção tenha sido revisada para cima, ela ainda aponta para uma desaceleração do crédito pelo segundo ano consecutivo. Em 2025, o saldo de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) expandiu 10,3%, um valor inferior aos 11,5% registrados em 2024.

O Banco Central esclareceu que “a esperada desaceleração harmoniza-se com o panorama futuro da atividade econômica nacional e com os impactos presentes e passados da política monetária, que incluiu o aumento da Selic, em um cenário de alto endividamento e comprometimento da renda”.

Contas externas

A estimativa para o déficit nas transações correntes, que englobam a troca de mercadorias, serviços e transferências de renda com nações estrangeiras, sofreu uma redução em comparação ao relatório precedente. O valor projetado para 2026 passou de R$ 60 bilhões para US$ 58 bilhões (equivalente a 2,2% do PIB), justificado pela melhoria na previsão do saldo comercial, impulsionado por um aumento das exportações superior ao das importações.

O incremento no valor estimado para as exportações resulta da soma de um leve aumento no volume esperado e, sobretudo, da expectativa de preços mais elevados. Segundo o BC, a alteração mais relevante em relação ao relatório de dezembro deriva da valorização dos preços dos combustíveis, consequência direta do conflito no Oriente Médio, influenciando assim a projeção de exportação de petróleo.

Esse desequilíbrio nas contas externas será coberto por aportes de capital de longo prazo, notadamente pelos investimentos diretos no país (IDP), que preveem um fluxo líquido de entrada de US$ 70 bilhões (correspondendo a 2,7% do PIB).

Em contrapartida, o conflito no Oriente Médio intensifica os riscos e a imprevisibilidade, devido à diminuição do tráfego comercial no Estreito de Ormuz. Isso pode gerar consequências no comércio global, nas cadeias produtivas e nas condições financeiras mundiais.

FONTE/CRÉDITOS: Por Redação Paraná Urgente
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