Os sócios do Banco de Brasília (BRB) deram o aval, nesta quarta-feira (22), para a expansão do capital da instituição, controlada pelo Governo do Distrito Federal (GDF), que detém 53,7% das ações.
A decisão, tomada em Assembleia Geral Extraordinária, permite que o banco emita ações ordinárias e preferenciais, totalizando até R$ 8,81 bilhões. Cada nova ação terá o valor de R$ 5,36 no mercado, via subscrição privada.
A projeção da diretoria do BRB é que, após essa operação, o capital social da instituição avance dos atuais R$ 2,344 bilhões para um mínimo de R$ 2,88 bilhões, podendo alcançar até R$ 11,16 bilhões.
Segundo o banco, o objetivo do aumento de capital é garantir níveis adequados de recursos, expandir a capacidade de crescimento das atividades e fortalecer sua estrutura financeira e indicadores prudenciais.
Para concretizar a operação, os acionistas concederam autoridade ao Conselho de Administração do banco para realizar todos os procedimentos necessários.
Na mesma assembleia, foram confirmadas as nomeações de Nelson Antônio de Souza, atual presidente, e de Joaquim Lima de Oliveira e Sergio Iunes Brito para o Conselho de Administração.
Crise institucional no BRB
Desde sua fundação em 1964, o BRB atravessa um período de instabilidade institucional sem precedentes. A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025, revelou um esquema de fraudes financeiras que resultou em prejuízos bilionários para o banco na aquisição de créditos do Banco Master.
Daniel Vorcaro, controlador do Master, encontra-se detido desde o início de março deste ano. As investigações subsequentes levaram ao afastamento e prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa (PHC), sob suspeita de envolvimento em crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Em um movimento recente, na segunda-feira (20), o BRB anunciou um acordo preliminar com a gestora de fundos de investimento Quadra Capital para a venda de ativos adquiridos do Banco Master.
A Quadra Capital comprometeu-se a desembolsar entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões à vista pelos créditos do Master, além de um valor adicional de R$ 11 bilhões a R$ 12 bilhões, dependendo do sucesso na recuperação desses valores.
A gestão e monetização dos ativos serão realizadas por um fundo de investimento, no qual o BRB e a Quadra deterão participação. A transação está sujeita à aprovação do Banco Central (BC).
“É claro que o fundo de investimento a ser montado terá que apresentar resultados. A Quadra só efetuará os pagamentos restantes caso o fundo obtenha retorno, ou seja, se conseguir recuperar, dos devedores, uma parte significativa dos créditos que o BRB adquiriu do Master”, explicou o economista e professor da Universidade de Brasília, César Bergo, à Agência Brasil.
Bergo, com vasta experiência no setor financeiro, avalia que, se aprovado, o acordo pode trazer algum alívio para a crise do banco público, mas não representa uma solução completa.
“Este negócio permite ao BRB uma sobrevida, mas outras medidas serão indispensáveis. Por isso, o banco busca [mais de R$ 6 bilhões] em empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos [FGC] e sinaliza a intenção de adotar uma gestão mais austera, possivelmente alterando sua estratégia de negócios”, concluiu Bergo.
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