A paciente Ana Beatriz Cruz, internada em Curitiba, recebeu na noite de terça-feira (16) e madrugada de quarta-feira (17) a aplicação da polilaminina no Hospital do Trabalhador. O procedimento, uma terapia experimental para lesões medulares, foi viabilizado por uma operação especial determinada pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior.
A ação governamental garantiu o transporte urgente do medicamento experimental e da equipe médica responsável pela aplicação, crucial para atender à janela terapêutica recomendada pelos pesquisadores.
Acidente grave levou paciente ao hospital
Ana Beatriz deu entrada na unidade hospitalar no último sábado (13) em estado gravíssimo, com risco iminente de morte. Ela foi atingida por um galho de árvore enquanto passeava com a família em Curitiba, resultando em trauma raquimedular e torácico severos.
Operação especial garantiu agilidade no tratamento
A agilidade do Governo do Estado foi fundamental para o sucesso da operação. Uma aeronave oficial decolou do Aeroporto do Bacacheri, em Curitiba, na tarde de terça-feira, rumo ao Rio de Janeiro.
Na sequência, a equipe embarcou para Foz do Iguaçu, de onde retornou à Capital paranaense no período da noite. O pouso no Bacacheri ocorreu por volta das 22 horas.
Isso permitiu que a aplicação da polilaminina fosse iniciada ainda dentro do prazo de até 72 horas após o ocorrido, considerado 'padrão ouro' pelo protocolo de pesquisa.
Equipe médica multidisciplinar à frente do procedimento
O procedimento foi conduzido pelo médico pesquisador Olavo Borges Franco, pelo neurocirurgião João Elias Sarraf e por Mitter Mayer Borges, coordenador do Programa de Acesso Expandido (Uso Compassivo) da Polilaminina.
Autoridades destacam esforço e pioneirismo do paraná
O secretário de Estado da Saúde, César Neves, enfatizou o esforço inicial concentrado em preservar a vida da paciente. 'Quando ela chegou ao Hospital do Trabalhador, apresentava um trauma raquimedular e um trauma torácico muito graves, com risco iminente de morte. A prioridade absoluta foi salvar sua vida', afirmou Neves.
Ele destacou que, após a estabilização do quadro clínico, as equipes identificaram a possibilidade de inclusão no protocolo e trabalharam para que toda a documentação fosse analisada dentro da janela terapêutica. 'Não medimos esforços para garantir essa oportunidade de tratamento', completou.
Mitter Mayer Borges, coordenador do programa, elogiou a rapidez da mobilização realizada no Paraná e ressaltou o protagonismo do Estado na utilização da terapia experimental. 'Esse resultado só foi possível devido à gestão eficiente do Governo do Estado e da administração hospitalar, que compreenderam a urgência da janela terapêutica. Hoje, o Paraná é o estado brasileiro com o maior número de pacientes tratados com polilaminina', disse Borges.
Próximos passos: reabilitação intensiva
Com a aplicação da polilaminina concluída, Ana Beatriz permanecerá internada sob acompanhamento multiprofissional no Hospital do Trabalhador.
Após a recuperação inicial e conforme a evolução clínica, a paciente poderá ser encaminhada para reabilitação intensiva no Hospital de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier (CHR), unidade integrante do Complexo Hospitalar do Trabalhador, onde dará continuidade ao tratamento com fisioterapia especializada.
A polilaminina no brasil e no paraná
Esta foi a 16ª aplicação da polilaminina realizada no Paraná. Na sequência, outro paciente também realizou o procedimento, totalizando 17 no estado.
Com essas aplicações, o Brasil agora contabiliza 87 pacientes tratados por meio da pesquisa. Os pacientes atendidos no Paraná estão distribuídos em diversos municípios:
- Cascavel: 1 paciente
- Curitiba: 7 pacientes
- Londrina: 1 paciente
- Maringá: 6 pacientes
- Foz do Iguaçu: 2 pacientes
A polilaminina é uma terapia experimental inovadora, desenvolvida por pesquisadores brasileiros para o tratamento de lesões medulares agudas. Ela é criada a partir da laminina, uma proteína que já existe no corpo humano e é encontrada em grande quantidade na placenta.
O procedimento integra o Programa de Acesso Expandido (Uso Compassivo), devidamente autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), enquanto seguem os estudos clínicos para avaliação da segurança e da eficácia da substância.
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