A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, suspeita de agredir e torturar uma empregada doméstica grávida de 19 anos em Paço do Lumiar, na Grande São Luís (MA), foi presa nesta quinta-feira em Teresina, Piauí. A prisão ocorreu após a Justiça expedir um mandado de prisão preventiva, e as investigações apontam que Carolina havia fugido para a casa de um tio e planejava continuar a fuga para outras localidades.
Detalhes da prisão e a tentativa de fuga
A localização da empresária foi confirmada após uma ação conjunta das forças de segurança do Maranhão e Piauí. Segundo Yan Brayner, diretor de inteligência da SSP-PI, Carolina foi encontrada em um posto de gasolina em Teresina, acompanhada do marido e com malas de viagem, indicando a intenção de prosseguir com a fuga.
As investigações revelaram que, após a repercussão do caso e a emissão do mandado, Carolina buscou refúgio na casa de um tio em Teresina. O tio, no entanto, a teria repreendido e aconselhado a se apresentar às autoridades, fazendo com que ela deixasse a residência antes de ser localizada pela polícia.
Cooperação entre estados garante a prisão
A prisão de Carolina Sthela foi resultado da troca de informações entre a Polícia Civil do Maranhão e do Piauí. O delegado Matheus Zanatta, superintendente de Operações Integradas da SSP-PI, explicou que a equipe maranhense informou sobre o não cumprimento do mandado em São Luís, e as investigações no Piauí confirmaram a presença da empresária em Teresina, levando ao cerco e à prisão.
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), celebrou a prisão nas redes sociais e informou que o policial militar citado nas denúncias como cúmplice das agressões já foi identificado, com mandado de prisão emitido e procedimento disciplinar instaurado pela Corregedoria da PMMA.
Defesa alega motivo familiar para a viagem
A defesa de Carolina Sthela Ferreira dos Anjos declarou que a empresária estava no Piauí não por fuga, mas para deixar o filho de 6 anos com pessoas de confiança em Teresina, alegando não possuir familiares no Maranhão que pudessem cuidar da criança. No entanto, essa versão contrasta com os indícios de tentativa de fuga apontados pela polícia.
Tortura e agressões: o relato da vítima e confissão em áudio
O caso, que chocou o país, ganhou destaque após denúncia da TV Mirante e manifestação da OAB-MA. As agressões ocorreram em 17 de abril, na residência da empresária, onde a vítima trabalhava. A jovem, grávida de cinco meses, foi acusada de furtar joias.
O relatório da OAB e o inquérito policial detalham a gravidade dos crimes. A empregada doméstica foi submetida a tortura física e psicológica, incluindo:
- Puxões de cabelo e derrubada ao chão.
- Socos, tapas e murros constantes.
- Ameaças com arma de fogo, que chegou a ser colocada em sua boca.
- Agressões que duraram cerca de uma hora, mesmo após o suposto anel furtado ter sido encontrado.
A vítima relatou ter tentado proteger a barriga durante todo o ataque. “Eu, graças a Deus, não levei nenhum chute, porque fiquei protegendo minha barriga o tempo todo, mas o restante do corpo ficou todo marcado”, disse ela à polícia.
Áudios anexados ao inquérito, enviados pela própria empresária e obtidos pela TV Mirante, revelam a crueldade das agressões. Em uma das mensagens, Carolina afirma que a vítima “não era pra ter saído viva”:
“Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo”, afirmou Carolina Sthella.
Nos áudios, ela ainda relata ter contado com a ajuda de um homem armado, ainda não identificado, que teria chegado à sua casa na manhã do dia 17 de abril para participar das agressões.
Policiais militares afastados por suposta cumplicidade
Quatro policiais militares que atenderam a ocorrência inicial foram afastados de suas funções. O afastamento ocorreu após a divulgação de mensagens em que a empresária afirmava não ter sido levada à delegacia por ser conhecida de um dos agentes. No áudio, Carolina chega a dizer que o policial teria afirmado: “Carol, se não fosse eu, eu teria que te conduzir para a delegacia, porque ela está cheia de hematomas”.
Histórico de processos: condenação por calúnia
Carolina Sthela Ferreira dos Anjos é alvo de mais de dez processos judiciais. Entre eles, destaca-se uma condenação por calúnia em 2024, na qual ela acusou falsamente a ex-babá do filho de roubar uma pulseira de ouro. A pena de seis meses de prisão em regime aberto foi substituída por prestação de serviço comunitário e o pagamento de R$ 4 mil por danos morais.
Autoridades reforçam compromisso com a justiça
Nota da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI)
A SSP-PI confirmou a prisão da empresária, destacando a ação integrada entre as forças de segurança dos dois estados. A nota reitera que a investigada é suspeita de tortura, ameaça, lesão corporal e constrangimento ilegal contra a trabalhadora doméstica.
Posicionamento do governador do Maranhão, Carlos Brandão
O governador Carlos Brandão reafirmou o compromisso com a justiça, destacando a identificação e emissão de mandado de prisão para o policial militar envolvido. Ele garantiu que a investigação continuará para identificar todos os envolvidos e que a vítima está recebendo toda a assistência necessária do governo.
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