A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) manifestou-se em defesa do Pix, o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) tecer críticas. A entidade declarou que as conclusões americanas, que sugerem que o Pix poderia dificultar a concorrência de empresas estrangeiras no mercado brasileiro, foram elaboradas com base em informações parciais sobre os propósitos e a operação da plataforma.
Essa posição surge em resposta aos resultados de uma investigação comercial conduzida pelo órgão dos EUA, que inseriu o Pix entre os elementos capazes de criar obstáculos para a atuação de companhias americanas no setor financeiro do Brasil.
A Febraban enfatizou que o Pix não possui finalidade comercial, funcionando como uma infraestrutura de pagamentos projetada para intensificar a competição entre as instituições financeiras e aprimorar a eficiência do sistema financeiro nacional.
“O Pix é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial, que favorece a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos”, reiterou a federação.
Pix: um sistema aberto e inclusivo
A federação também refutou a acusação de que o Pix seria discriminatório. Segundo a entidade, não há impedimentos para a adesão de novos participantes, independentemente de seu porte ou segmento de atuação.
A única condição é que as empresas operem no mercado nacional, uma vez que o sistema processa transações em reais e foi desenvolvido especificamente para o ambiente financeiro brasileiro.
A Febraban destacou ainda que o Pix opera como uma plataforma aberta, acessível a todos os residentes do país, englobando tanto pessoas físicas quanto jurídicas, sejam brasileiros ou estrangeiros.
Outro ponto ressaltado é a gratuidade das transferências entre pessoas físicas. Para empresas, pode haver cobranças, mas sem qualquer distinção entre companhias brasileiras e estrangeiras.
Impacto econômico e inclusão financeira
A entidade argumenta que o Pix tem sido um catalisador para a inclusão financeira, ao reduzir custos operacionais e expandir o acesso a métodos de pagamento digitais.
Conforme a federação, o sistema também gerou ganhos de eficiência significativos para empresas, simplificando processos de cobrança e recebimento, em particular para operações de menor valor.
Tarifas e diálogo em pauta
A Febraban expressou a expectativa de que as contribuições do Banco Central, das instituições financeiras brasileiras e de bancos americanos contribuam para esclarecer os pontos levantados pelo USTR durante o período de consulta pública.
Essa discussão ocorre em um contexto onde o órgão americano propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre exportações brasileiras a partir de 15 de julho. A medida faz parte de uma investigação sobre supostas práticas comerciais consideradas desleais pelos Estados Unidos.
Na minuta divulgada pelo governo americano, o Pix é frequentemente mencionado como um instrumento que poderia limitar a atuação de empresas estrangeiras no segmento de pagamentos digitais. Contudo, essa avaliação é veementemente contestada pelo sistema financeiro brasileiro.
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