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Em meio a atritos ideológicos e suspeitas envolvendo a fuga de Flávio Bolsonaro pela fronteira, a Argentina se consolida como o único país da América do Sul a não reconhecer formalmente a vitória do presidente brasileiro.
A crise diplomática entre as duas maiores economias da América do Sul ganhou um novo e tenso capítulo nesta terça-feira. O governo argentino confirmou oficialmente que não enviará um comunicado de felicitações a Luiz Inácio Lula da Silva pela sua vitória no segundo turno das eleições presidenciais do Brasil.
A declaração oficial foi feita pelo porta-voz presidencial, Adrián Ravier, durante coletiva de imprensa na Casa Rosada. Com o posicionamento, a Argentina se torna formalmente o único país sul-americano a recusar o reconhecimento diplomático direto ao pleito brasileiro, aprofundando um cenário marcado pela ausência de embaixadores definitivos desde agosto e por frequentes trocas de farpas públicas entre os chefes de Estado.
"Não vai haver um comunicado oficial. O governo tomou nota do resultado eleitoral. O presidente Milei não é um hipócrita; há uma diferença ideológica real entre os dois mandatários", afirmou Ravier.
O porta-voz argentino também relembrou o pleito de 2023 na Argentina, alegando que, quando Javier Milei foi eleito, não houve qualquer gesto de saudação pessoal vindo de Brasília.
Comércio Risco? O Que Diz a Casa Rosada Sobre o Mercosul
Apesar do tom áspero no campo político e ideológico, o governo argentino tentou blindar o impacto da decisão sobre a economia e os acordos bilaterais. Segundo Ravier, os laços comerciais e as rotas de negócios dentro do Mercosul não devem sofrer retaliações.
"Para o presidente, o povo, o comércio e as relações bilaterais são muito mais importantes do que as divergências ideológicas entre os líderes. Do lado argentino, a diplomacia e as relações comerciais continuam. Não esperamos que nada disso afete nosso trabalho no Mercosul", pontuou o porta-voz, garantindo que empresas e cidadãos de ambos os países continuarão operando com normalidade.
Mistério na Fronteira: PF Investiga Suposta Fuga de Flávio Bolsonaro via Argentina
Adicionando ainda mais combustível ao impasse internacional, a Polícia Federal brasileira abriu uma investigação para averiguar se o senador Flávio Bolsonaro teria ingressado clandestinamente no território argentino pela fronteira com o Estado de Misiones.
A suspeita levantada por autoridades brasileiras é de que o senador pretendia embarcar no Aeroporto de Puerto Iguazú em um jato privado de matrícula argentina (LV-JQW) com destino a Fort Lauderdale, na Flórida (EUA).
O Posição das Autoridades Argentinas:
- Pedido de Asilo: Questionado se a Argentina concederia asilo político a Flávio Bolsonaro, Adrián Ravier respondeu categoricamente: "Não há nenhum pedido de asilo, portanto não há nada a acrescentar."
- Controle Migratório: A Direção Nacional de Migrações da Argentina emitiu nota oficial informando que não há registro de entrada legal de Flávio Bolsonaro no país.
- Inspeção de Aeronave: Após a repercussão mediática sobre a presença do avião em Puerto Iguazú, autoridades argentinas inspecionaram a tripulação e a documentação do voo, confirmando que a empresa está regular e que "nenhum plano de voo apresentado inclui membros da família Bolsonaro".
Até o momento, o paradeiro do senador permanece desconhecido, e os desdobramentos da investigação policial seguem sob forte acompanhamento das chancelarias de ambos os países.
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