A projeção do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação brasileira, foi ajustada de 4,1% para 4,17% para o ano corrente. Essa estimativa foi revelada no boletim Focus desta segunda-feira (23), um levantamento semanal do Banco Central (BC) que compila as expectativas de diversas instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos.
Diante das crescentes tensões no Oriente Médio, esta é a segunda semana consecutiva em que a projeção inflacionária para o ano é revista para cima. Contudo, o valor ainda se encontra dentro da faixa da meta estabelecida pelo Banco Central.
A meta, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que os limites são de 1,5% (inferior) e 4,5% (superior).
No mês de fevereiro, a inflação oficial registrou 0,7%, impulsionada principalmente pelos aumentos nos setores de transportes e educação conforme noticiado. Esse patamar representa uma aceleração em comparação com os 0,33% observados em janeiro. Apesar disso, a inflação acumulada nos últimos 12 meses apresentou uma desaceleração, atingindo 3,81%, um nível que não era visto abaixo de 4% desde maio de 2024.
As expectativas para a inflação em 2027 permanecem estáveis em 3,8%. Para os anos de 2028 e 2029, as projeções indicam 3,52% e 3,5%, respectivamente.
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Taxa Selic
O Banco Central emprega a taxa básica de juros, a Selic, como seu principal mecanismo para controlar a inflação. Atualmente fixada em 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual por decisão unânime na última reunião do colegiado. Previamente à intensificação do conflito no Irã, a maioria dos analistas esperava um corte mais expressivo, de 0,5 ponto.
A taxa Selic, ao atingir 15% anuais, alcançou seu patamar mais elevado desde julho de 2006, quando se situava em 15,25% ao ano. Em um período compreendido entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi consecutivamente elevada por sete vezes, permanecendo inalterada nas quatro reuniões subsequentes.
A ata da reunião de janeiro do Copom indicava o início de um ciclo de redução dos juros na reunião do mês corrente. Contudo, o comunicado subsequente revelou uma postura mais cautelosa, reflexo da elevação das incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio. O Banco Central sinaliza que pode reavaliar a sequência de cortes, se as condições exigirem.
Nesta edição do boletim Focus, a projeção dos analistas de mercado para a taxa básica de juros foi ajustada para cima, passando de 12,25% para 12,5% ao ano até o final de 2026. Para os anos de 2027 e 2028, a expectativa é de que a Selic seja reduzida para 10,5% e 10% anuais, respectivamente. Em 2029, a taxa deve alcançar 9,5% ao ano.
O objetivo do Copom ao elevar a Selic é frear uma demanda excessiva. Tal medida impacta os preços, pois juros mais elevados encarecem o acesso ao crédito e incentivam a poupança. Consequentemente, taxas de juros mais altas podem também representar um obstáculo ao crescimento econômico.
Adicionalmente, as instituições bancárias levam em conta outros elementos ao determinar os juros aplicados aos consumidores, como o risco de inadimplência, suas margens de lucro e os custos administrativos.
Por outro lado, a redução da Taxa Selic tende a baratear o crédito, fomentando a produção e o consumo. Esse movimento, ao mesmo tempo em que atenua o controle inflacionário, impulsiona a atividade econômica.
PIB e câmbio
De acordo com a edição mais recente do boletim do Banco Central, a projeção das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira neste ano foi ligeiramente ajustada, de 1,83% para 1,84%. Para 2027, a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, manteve-se em 1,8%. Já para 2028 e 2029, o mercado financeiro prevê uma expansão do PIB de 2% em ambos os anos.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que, em 2025, a economia brasileira registrou um crescimento de 2,3%. Esse desempenho, marcado pela expansão em todos os setores e um notável destaque para a agropecuária, consolida o quinto ano consecutivo de crescimento.
Ainda no boletim Focus desta semana, a projeção para a cotação do dólar ao final do ano corrente é de R$ 5,40. Para o encerramento de 2027, a expectativa é que a moeda norte-americana se estabilize em R$ 5,45.
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