São Paulo, 11 de agosto de 2025 – O Tribunal de Justiça Militar de São Paulo expediu um alvará de soltura para três policiais militares acusados de assassinar Antonio Vinicius Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão, que representa uma reviravolta no caso, baseia-se em questionamentos da defesa sobre a legalidade das provas colhidas pela Corregedoria da Polícia Militar.
Os policiais beneficiados pela medida são o cabo Denis Antônio Martins, o soldado Ruan Silva Rodrigues, apontados como executores do crime, e o tenente Fernando Genauro da Silva, que teria dado apoio à ação. O assassinato de Gritzbach ocorreu em novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em um crime que chocou pela audácia e pela suspeita de envolvimento de agentes de segurança.
A principal tese da defesa, acatada pela Justiça Militar, contesta a competência da Corregedoria da PM para conduzir a investigação do homicídio. Os advogados dos acusados sustentam que as provas produzidas pelo órgão interno da polícia, como a análise de dados de celulares que indicariam a presença dos policiais na cena do crime e exames de DNA, seriam nulas. A defesa pretende agora pleitear a anulação definitiva dessas provas na Vara do Júri de Guarulhos, onde o processo por homicídio doloso tramita na justiça comum.
A soltura dos três policiais ocorre em um contexto de um caso complexo que envolve uma investigação mais ampla sobre a infiltração do crime organizado em forças de segurança. Ao todo, 18 policiais militares tornaram-se réus na Justiça Militar por suspeita de envolvimento com o esquema que culminou na morte de Gritzbach.
Anteriormente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) havia negado um pedido de liberdade aos acusados, ressaltando a gravidade do caso e os indícios da participação dos policiais em uma organização criminosa. A decisão da Justiça Militar, portanto, representa um novo capítulo na batalha jurídica que se desenrola em duas esferas: a militar, que julga crimes militares conexos, e a comum, responsável pelo julgamento do homicídio.
O Ministério Público de São Paulo, que denunciou os policiais por organização criminosa e homicídio, ainda não se manifestou oficialmente sobre a decisão de soltura e os próximos passos que tomará, como um possível recurso contra o alvará.
O Delator e o Crime
Antonio Vinicius Gritzbach era um empresário que se tornou peça-chave em investigações contra o PCC ao firmar um acordo de delação premiada. Em seus depoimentos, ele detalhou o funcionamento de esquemas de lavagem de dinheiro da facção e a suposta participação de policiais em atividades ilícitas. Sua execução foi vista como uma queima de arquivo e uma clara demonstração de força da organização criminosa.
O andamento do processo na Vara do Júri de Guarulhos, que julgará o crime contra a vida, dependerá agora da validação das provas questionadas pela defesa, o que pode impactar diretamente o futuro dos acusados. A soltura dos três policiais, embora amparada por uma decisão judicial, gera apreensão e levanta debates sobre a competência investigativa em casos de alta complexidade envolvendo agentes do Estado.