O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta quarta-feira (5), em Brasília, os resultados do Saeb 2025, revelando que a educação básica brasileira recuperou os patamares de proficiência pré-pandemia, embora gargalos históricos na aprendizagem continuem desafiando o país.
Segundo o levantamento, o avanço mais significativo ocorreu nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), onde a nota padronizada subiu de 5,9 para 6,2 entre 2023 e 2025. Com esse desempenho, as escolas públicas superaram os índices de 2019 em língua portuguesa e matemática, atingindo o patamar adequado de aprendizagem.
Por outro lado, o progresso nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) foi tímido, passando de 5,1 para 5,2, mantendo os estudantes no nível básico. No ensino médio, o indicador cresceu apenas 0,1 ponto, mas o desempenho em matemática permaneceu abaixo do básico.
Natália Fregonesi, coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, ressalta que os alunos chegam à etapa final com defasagens acumuladas. Por isso, ela defende a priorização da aprendizagem desde os primeiros anos escolares para evitar que o problema se intensifique no futuro.
Desempenho detalhado por etapas
Na escala de 0 a 500 da avaliação, o 5º ano registrou alta em língua portuguesa, subindo de 207,6 para 215,1 pontos, e em matemática, de 218,3 para 227,4. No 9º ano, a pontuação em português passou de 252,9 para 256,6, enquanto matemática saltou de 249,9 para 255,3 entre 2023 e 2025.
Já no 3º ano do ensino médio, a média em língua portuguesa subiu de 269,1 para 272,3, enquanto matemática variou de 263,9 para 268,0. Na rede estadual, que engloba o ensino tradicional e o técnico integrado, português registrou 275,8 pontos e matemática alcançou 271,4 pontos.
A grande preocupação dos especialistas recai sobre o ritmo lento do ensino médio e dos anos finais do ensino fundamental. O maior obstáculo identificado é o aprendizado de matemática na etapa final da educação básica, que ainda não retomou a dinâmica esperada após a crise sanitária iniciada em 2020.
Para a organização Todos Pela Educação, embora a recuperação seja um passo relevante, ela é insuficiente para alterar drasticamente o patamar da aprendizagem nacional. A entidade reforça a necessidade urgente de colocar a evolução pedagógica no centro das políticas públicas brasileiras.
Ações para superar o desafio na matemática
Diante do quadro atual, especialistas defendem maior agilidade e esforço coordenado entre governos. Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, destaca que evoluir em matemática exige constância e a implementação efetiva de programas estratégicos, como o Compromisso Nacional Toda Matemática.
Além das iniciativas governamentais, medidas de apoio direto às salas de aula são fundamentais. Natália Fregonesi pontua ser indispensável investir na formação docente, no acompanhamento pedagógico contínuo e em metodologias de recomposição de aprendizagem para alunos defasados.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, salientou que a defasagem em matemática atinge diversos países. Ele mencionou que o Brasil aposta na formação continuada de professores e que a Prova Nacional Docente (PND) 2025 provou que o país possui quadros qualificados suficientes para suprir as redes públicas.
Contudo, analistas ponderam que a contratação de profissionais é apenas uma parte da solução. O sucesso educacional depende da combinação entre liderança técnica, vontade política e investimentos contínuos em projetos estruturantes, conforme defende a secretária Nacional de Educação Básica, Kátia Schweickardt.
Recuperação mais rápida que o previsto
Apesar das lacunas, o ministro Barchini ressaltou a resiliência do sistema educacional brasileiro, que conseguiu retomar os patamares de 2019 em apenas quatro anos. Projeções de organismos internacionais estimavam que o processo de recomposição pós-pandemia levaria entre 10 e 13 anos.
Entidades do setor alertam, porém, que o patamar pré-pandêmico já era considerado baixo e precisa ser superado. No ensino médio, aponta-se que conectar o ambiente escolar à realidade dos jovens é indispensável para combater a desmotivação e melhorar a retenção dos estudantes.
Realizado pelo Inep a cada dois anos desde 1990, o Saeb avalia o desempenho escolar e fatores educacionais contextuais. Na edição de 2025, a avaliação abrangeu 5,9 milhões de alunos em 73,7 mil escolas do país, fornecendo subsídios cruciais para a composição do Ideb.
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