Um servidor público da Prefeitura de Ponta Grossa, no estado do Paraná, foi indiciado pela Polícia Civil por registrar seu ponto eletrônico e ir embora sem cumprir sua jornada de trabalho por um período de quase dois anos. O caso, que gerou um prejuízo estimado em mais de R$ 34 mil aos cofres públicos, culminou na demissão do funcionário por justa causa e em sua responsabilização criminal.
O servidor, identificado como Luciano Gaspar Daru, atuava como técnico administrativo na Secretaria Municipal de Fazenda. De acordo com as investigações, entre agosto de 2023 e junho de 2025, ele comparecia à repartição apenas para registrar sua entrada e, em seguida, deixava o local, retornando somente no final do expediente para bater o ponto de saída.
As investigações, iniciadas a partir de uma denúncia interna, revelaram que o servidor chegava a utilizar trajes inadequados para o ambiente de trabalho, como bermuda e chinelo, evidenciando a falta de intenção de permanecer no local para exercer suas funções. Imagens de câmeras de segurança foram utilizadas para comprovar a fraude.
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Homem recebia mais de R$ 2,3 mil de salário bruto — Foto: Reprodução/RPC
Durante o período da irregularidade, Luciano Gaspar Daru, que era servidor concursado há 26 anos, continuou recebendo seu salário integralmente, que era de aproximadamente R$ 2,3 mil brutos. O valor total do prejuízo apurado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) foi de R$ 34.385,15.
Após a conclusão do processo administrativo disciplinar, que garantiu ao servidor o direito à ampla defesa e ao contraditório, ele foi demitido por justa causa. Na esfera criminal, a Polícia Civil o indiciou pelo crime de inserção de dados falsos em sistema de informações, cuja pena pode variar de 2 a 12 anos de reclusão, além de multa. O inquérito foi encaminhado ao MP-PR, que poderá oferecer denúncia à Justiça.
A Prefeitura de Ponta Grossa informou que colaborou com as investigações e que, a partir do caso, reforçou os mecanismos internos de controle de jornada dos servidores. O caso gerou grande repercussão e levantou o debate sobre a fiscalização e o controle do funcionalismo público.
Câmera mostra servidor indo a prefeitura só para bater ponto, e ir embora sem trabalhar
As roupas que ele usava para bater o ponto e as faltas recorrentes começaram a chamar a atenção de colegas. Em 2024, a prefeitura abriu uma investigação interna contra o servidor e, em 2025, repassou o caso à Polícia Civil.