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Sábado, 18 de Abril 2026

Economia

Setor industrial defende a energia nuclear como estratégica para a soberania

Celso Cunha, presidente da Abdan, enfatiza que a fonte é 'limpa, gera energia em um espaço muito reduzido, é altamente eficiente e tecnológica'.

Portal Paraná Urgente
Por Portal Paraná Urgente
Setor industrial defende a energia nuclear como estratégica para a soberania
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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O avanço da energia nuclear é considerado crucial para que o Brasil atinja a independência energética e a soberania do país. Este cenário se mostra ainda mais relevante em um período no qual as economias mundiais demandam fontes de energia estáveis e as tensões geopolíticas provocam instabilidade nos mercados de petróleo e gás natural.

Essa perspectiva foi apresentada por especialistas que estiveram presentes, na última segunda-feira (23), no Nuclear Summit. O evento, focado no progresso da energia nuclear, ocorreu na Casa Firjan, polo de inovação da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, e foi organizado pela Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan).

Júlio César Rodriguez, professor de relações internacionais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), argumenta que o Brasil precisa direcionar investimentos para a energia nuclear devido à sua natureza escalável, ou seja, a capacidade de expandir significativamente a produção.

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“A energia nuclear representa uma fonte crucial para o Brasil, permitindo-lhe alcançar não apenas a autonomia energética, mas também a independência tecnológica”, complementou o docente da instituição gaúcha em declaração à Agência Brasil.

“Ao dominar integralmente o processo, desde a extração dos minérios e o enriquecimento até o desenvolvimento de reatores, elevamos nosso patamar de desenvolvimento industrial, tecnológico e científico, posicionando-nos entre os principais protagonistas globais”, afirmou.

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Oportunidade estratégica

Celso Cunha, presidente da Abdan, destacou os “atributos importantes” da energia nuclear. Ele descreveu a fonte como “limpa, capaz de gerar energia em um espaço muito reduzido, altamente eficiente e tecnologicamente avançada”.

Na visão de Cunha, o cenário ambiental e geopolítico atual, marcado por conflitos internacionais, reforça as vantagens inerentes à energia nuclear.

“É fundamental que um país seja energeticamente independente. Uma nação que depende de fontes externas de energia tem sua capacidade de crescimento comprometida”, declarou à Agência Brasil.

Embora reconheça a vasta disponibilidade de fontes renováveis no Brasil, como eólica, solar e hidrelétrica, o presidente da Abdan enfatizou a superioridade da energia nuclear por seu fornecimento ininterrupto, não sujeito a variações climáticas como ventos, incidência solar ou regimes pluviométricos.

“Esta é a grande solução”, afirmou, apontando também a capacidade de exportar combustível nuclear como um benefício para o país. “Podemos gerar uma receita significativa com a venda de combustível, ao invés de comercializar o minério in natura, que não agrega valor. Estamos no momento propício; a era nuclear chegou”, concluiu.

Apesar de ser classificada pela indústria como uma fonte de energia limpa, a nuclear suscita preocupações entre ambientalistas quanto à gestão dos resíduos radioativos produzidos, que exigem armazenamento seguro e permanente.

No Brasil, a Comissão Nacional de Energia Nuclear, uma entidade governamental, está empenhada na elaboração de um plano para um depósito definitivo destinado às pastilhas de urânio já utilizadas.

O ciclo do urânio

Mayara Mota, assessora de integridade e gestão de risco da Empresa de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBpar), detalhou que a companhia, vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), está explorando alternativas para que o Brasil alcance o domínio integral do ciclo do urânio, o mineral essencial para a energia nuclear.

“Atualmente, o processo de conversão é realizado fora do Brasil. Portanto, o objetivo da usina de conversão é internalizar essa infraestrutura. Possuímos a capacidade técnica para tal, mas carecemos da estrutura física”, explicou.

A conversão consiste na transformação do yellowcake (concentrado de urânio) em hexafluoreto de urânio. Esta é uma fase crucial no ciclo do combustível nuclear, convertendo um pó sólido em um composto que otimiza tanto o enriquecimento quanto o transporte.

O ciclo do urânio no Brasil é de monopólio estatal e é conduzido exclusivamente para propósitos pacíficos. A Indústrias Nucleares do Brasil (INB), empresa estatal, gerencia a única jazida do mineral no território nacional, localizada em Caetité, no sudoeste baiano, enquanto o enriquecimento ocorre na unidade fabril de Resende, na região sul do estado do Rio de Janeiro.

As usinas de Angra

Atualmente, o Brasil possui duas usinas nucleares em funcionamento, Angra 1 e Angra 2, situadas em Angra dos Reis, no litoral sul fluminense. Juntas, elas geram 2 gigawatts (GW) de energia, o suficiente para suprir as necessidades de uma metrópole como Belo Horizonte, que conta com 2,3 milhões de residentes.

A construção da usina Angra 3 encontra-se paralisada, e o governo debate a viabilidade de investir em sua conclusão, o que poderia acrescentar 1,4 GW à rede elétrica nacional. A interrupção da obra acarreta um custo anual de aproximadamente R$ 1 bilhão para o país.

Leia mais detalhes: Com a construção paralisada, Angra 3 investe na conservação de seus equipamentos.

Conforme um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o custo de um abandono permanente das obras de Angra 3 pode oscilar entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. Este montante, inclusive, pode exceder o valor estimado para a finalização do projeto, que é de R$ 24 bilhões.

A deliberação sobre a continuidade ou não de Angra 3 compete ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE, um colegiado que congrega diversos ministérios.

No contexto da transição energética

Regina Fernandes, consultora técnica da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), salientou que a energia nuclear assume um papel de destaque no engajamento do Brasil com a transição energética, contribuindo para reduzir a dependência nacional de combustíveis mais poluentes, como o petróleo.

“Essas fontes robustas e ambientalmente amigáveis possuem um espaço consolidado no planejamento de longo prazo para integrar a matriz energética. Elas deverão receber maiores incentivos em função da urgência climática global”, declarou a técnica da empresa ligada ao MME.

Em 10 de dezembro, o governo brasileiro comunicou sua adesão à Declaração para Triplicar a Energia Nuclear. Esta iniciativa visa engajar governos, setores industriais e entidades financeiras na meta de triplicar a capacidade instalada desta fonte energética globalmente até o ano de 2050.

Tal iniciativa foi formalizada durante a II Cúpula sobre Energia Nuclear, realizada na cidade de Paris.

FONTE/CRÉDITOS: Por Redação Paraná Urgente
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