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Quarta-feira, 29 de Abril 2026

Esportes

O novo torcedor.

Motivações banais e reações infantis.

Júlio Castro
Por Júlio Castro
O novo torcedor.
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Com milhões jorrando, SAF’s chegando, estádios modernos, Centros de Treinamento bem planejados e equipados, atletas acompanhados de empresários, assistentes, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e tudo o mais que poderia entregar um espetáculo sensacional, cada vez mais os Clubes brasileiros procuram atender a carência emocional e os anseios infantis de boa parte de seus torcedores. Desde as provocações a rivais nas redes sociais, antes prática exclusiva dos torcedores e de alguns atletas que dominavam a arte da comunicação e incendiavam a semana pré-jogo com promessas de gols e comemorações especiais ou apostas com algum adversário. Até a pirotecnia e efeitos visuais e sonoros durante a entrada dos times, prática que também pertencia as torcidas, passando por lançamentos cada vez mais frequentes de camisas de jogo ou de treino, comemorativas ou diferentonas, que não precisam respeitar cores e tradição. Tudo isso para tentar manter os olhos dos Enzos e das Patys, na direção do campo, suas cabeças erguidas por mais tempo, esquecendo por minutos que sejam os celulares e seus fortes desejos de opinar, palpitar, gritas em poucas linhas que existem e sim, são muito importantes para o Clube, para o time e para os outros torcedores. Me parece que os Clubes estão perdendo a batalha e as gerações mais novas não suportam a ideia de serem apenas espectadores ou torcedores. Isso não seria tão terrível se ao ouvir os comentários desses torcedores após as partidas, nos corredores do Estádio, nas entrevistas das rádios ou nos curtos textos na internet, percebo diferenças abissais nas opiniões e na interpretação de como foi o jogo. Simplificações seriam aceitas se fossem originais e baseadas em fatos, mas o corte milimétrico usado para avaliar o desempenho de um jogador ou as decisões do técnico, são tão distintas e algumas até fantasiosas que fica claro que o que vale é a postagem polêmica ou a confirmação daquela opinião dada anteriormente. Tudo para ganhar seguidores e mesmo momentaneamente, respeito. Durante os jogos, mesmo com compreensão e tolerância é impossível não ver e ouvir sentenças definitivas sobre atletas que mal iniciaram a carreira ou outros chamados de bichados, acabados ou inúteis por um passe errado ou um chute mal executado. O culto ao ídolo, o apoio em prol do melhor resultado e o entendimento que não fomos ao estádio ver máquinas está ficando para trás. Uma vitória dura pouco e a derrota é insuportável e determina que tudo tem que mudar. Mas camisas novas, bonés, copos estilizados e showzinhos acalmam e garantem o retorno na próxima partida. É muita chatice ou sou eu o impaciente? Acredito mesmo que sou eu o problema e me consolo ao lembrar que do lado de fora dos estádios a situação é pior e grave, quando a infantilidade é contaminada com ignorância, frustrações e violência, gerando brigas e depredações, ações de bandos, crianças mal-educadas e brabinhas que estragam o esporte cultivando guerras por não encontrarem no vazio de seus cérebros a paz. 

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