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Sexta-feira, 04 de Setembro 2026
Utilidade Pública

Assassinatos no campo caem, mas conflitos agrários aumentam no Brasil

Relatório da CPT aponta redução drástica de homicídios, porém elevação no número de disputas por terra e água no primeiro semestre.

Portal Paraná Urgente
Por Portal Paraná Urgente
Assassinatos no campo caem, mas conflitos agrários aumentam no Brasil
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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O Brasil registrou uma queda significativa no número de assassinatos no campo durante os primeiros seis meses deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025. Contudo, os dados divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) nesta quarta-feira (2) revelam um aumento nos conflitos agrários, refletindo a crescente tensão sobre a posse e o uso da terra no país.

A CPT contabilizou seis assassinatos no campo nos primeiros seis meses de 2026, uma redução expressiva em relação aos 27 registrados no mesmo intervalo de 2025. Em contrapartida, o número total de conflitos agrários subiu de 798 para 841.

O Maranhão liderou o ranking de estados com mais conflitos agrários no primeiro semestre de 2026, somando 156 casos. Pará (90), Bahia (85), Rondônia (63) e Amazonas (63) também figuram entre as unidades da federação com maior incidência.

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Esses levantamentos semestrais são cruciais para a análise das tendências de conflitos no campo e compõem o relatório anual “Conflitos no Campo Brasil”, previsto para 2027. As informações são coletadas por agentes da CPT, imprensa, órgãos públicos e organizações parceiras.

“O campo brasileiro está distante do que chamamos de um lugar de paz, onde as pessoas não precisam sempre resistir para a permanência na terra”, afirmou a coordenadora nacional da CPT, Cecília Gomes, à Agência Brasil. Ela destacou que, apesar da diminuição nos homicídios, a ocorrência de massacres – assassinatos de mais de uma pessoa – se manteve como uma característica preocupante.

Segundo a CPT, a intensificação da mercantilização e financeirização da terra, incluindo o interesse em terras raras por fundos de pensão, tem exacerbado essas disputas, especialmente em áreas de comunidades tradicionais e camponesas.

Conflitos por terra e água impulsionam estatísticas

Os conflitos por terra foram a categoria predominante, totalizando 711 ocorrências, seguidos por 100 casos de conflitos por água e 30 de trabalho escravo rural. As violências associadas a conflitos por terra aumentaram de 584 para 663, enquanto os casos de resistência diminuíram.

A contaminação por agrotóxicos se destacou como a forma mais frequente de violência em conflitos por terra, com 169 casos, um aumento expressivo em relação aos 98 registrados anteriormente. Invasões de territórios, desmatamento ilegal e ameaças de despejo também contribuíram para o cenário de violência, muitas vezes atribuído à expansão do agronegócio.

Os conflitos pela água também apresentaram expansão, saltando de 47 para 100 registros em 20 estados. O Pará liderou, com 16 ocorrências, muitas delas ligadas à luta de povos indígenas e ribeirinhos contra a privatização de rios e a atuação de garimpeiros e mineradoras.

Trabalho escravo e violência contra a pessoa

As ocorrências de trabalho escravo rural registraram uma queda acentuada, com 30 casos no primeiro semestre de 2026, contra 101 no mesmo período de 2025. O número de trabalhadores resgatados também diminuiu, de 842 para 355.

Entre os seis assassinatos registrados no campo, destacam-se um massacre de três posseiras no Amazonas, dois indígenas mortos em Roraima e Mato Grosso do Sul, e um trabalhador rural sem-terra. A violência com maior incidência foi a contaminação por minérios, especialmente na Terra Indígena Munduruku, no Pará, decorrente do garimpo ilegal.

Povos indígenas, trabalhadores sem-terra, posseiros, seringueiros e quilombolas figuram entre as principais vítimas das diversas formas de violência no campo, incluindo contaminação por agrotóxicos e criminalização.

FONTE/CRÉDITOS: Por Redação Paraná Urgente

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