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Terça-feira, 26 de Maio 2026
Política

Governistas tentam barrar convocação de irmão de Lula na CPMI do INSS

Estratégia política busca evitar depoimento de Frei Chico, vice do Sindnapi, enquanto oposição pressiona por investigação ampla

Clécio Silva
Por Clécio Silva
Governistas tentam barrar convocação de irmão de Lula na CPMI do INSS
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Brasília — A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tornou-se palco de uma nova disputa política. A bancada governista se mobiliza para impedir a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), citado em requerimentos da oposição por ocupar a vice-presidência do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi).

Estratégia de contenção

Aliados do governo alegam que não há justificativa técnica para a oitiva de Frei Chico, sustentando que diretores de sindicatos não devem ser colocados no centro das apurações. “O presidente do sindicato, sim, podemos chamar, e aí se precisar podemos chamar o vice. Mas o fato é que não estamos chamando todos os diretores dos sindicatos”, afirmou o deputado Alencar Santana (PT-SP), integrante da CPMI.

A base também argumenta que a convocação não pode se dar apenas por laços familiares com o presidente. “Não é investigação parental”, reforçou Santana, em referência ao histórico de CPIs que desgastaram o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus familiares, como a CPMI da Pandemia.

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Acusações de parcialidade

Além da resistência à convocação, os governistas também questionam a atuação do relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), alegando que ele já teria demonstrado julgamento prévio. “Como relator, ele não pode fazer isso, ele compromete e contamina a CPI”, criticou Santana.

A crítica, no entanto, contrasta com o silêncio da base em CPIs anteriores, como a da Pandemia, quando os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL), alinhados ao governo Lula, fizeram ataques diretos ao então presidente Bolsonaro e seus aliados.

Acordo político e recuo estratégico

Nos bastidores, a articulação governista resultou em um acordo com a oposição para evitar a convocação de Frei Chico. Em troca, o escopo da investigação foi ampliado para incluir o período do governo Dilma Rousseff, e o nome do sindicalista ficou fora da lista de 55 convocados aprovados pela comissão.

Segundo o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI, a convocação de figuras políticas será feita apenas com base em evidências concretas. “Não há previsão de que esse senhor [Frei Chico], ou outros ligados ao governo anterior, seja convidado sem as devidas provas”, declarou após a sessão.

Reações e próximos passos

A oposição, por sua vez, promete continuar pressionando por isonomia nas apurações. O senador Marcos Rogério (PL-RO) afirmou que os acordos firmados são “a fotografia do momento” e que Frei Chico ainda pode ser chamado futuramente. “Pretendo questionar justamente o porquê de as investigações não terem avançado em relação a ele”, disse.

A CPMI do INSS segue com depoimentos agendados, incluindo figuras centrais no escândalo de descontos indevidos e operações de crédito consignado compulsório. A tensão política, no entanto, promete se intensificar à medida que os trabalhos avançam.


Análise: A blindagem a Frei Chico expõe o embate entre narrativa política e critérios técnicos na CPMI. A tentativa de evitar desgaste ao governo Lula pode se tornar um novo foco de polarização, especialmente se a oposição insistir em explorar vínculos familiares como estratégia de pressão.

FONTE/CRÉDITOS: Clécio Silva
Clécio Silva

Publicado por:

Clécio Silva

Clécio Silva, Brasileiro, casado, cristão. Residente em Maringá há 34 anos. Apresentador, comunicador, empresário e jornalista com registro profissional nº 0011449/PR. Está na área de comunicação há 36 anos, sendo 29 como profissional.

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