Com a proximidade das eleições no Rio, mais de 2 milhões de eleitores que vivem em favelas fluminenses buscam pautar o debate público. Dados do IBGE apontam que essa população, distribuída por mais de 1,7 mil áreas vulneráveis, exige avanços urgentes em educação, saúde e infraestrutura, deixando em segundo plano o foco tradicional em operações policiais.
Na capital fluminense, cerca de 1,3 milhão de pessoas habitam as 813 comunidades locais. Segundo a professora Eblin Farage, coordenadora do NEPFE da UFRJ, esses territórios sofrem de forma desigual com a falta de saneamento básico e coleta de lixo, demandando ações específicas do Poder Público.
A jovem Letícia Vitória Guimarães, de 16 anos e moradora do Complexo do Alemão, votará pela primeira vez. Para ela, a mobilidade urbana é um gargalo crítico. A falta de linhas de ônibus diretas para outras regiões da cidade limita o lazer e dificulta o acesso de jovens ao mercado de trabalho.
Desafios no mercado de trabalho
A jornalista Isabelle Rodrigues Trindade, moradora da Rocinha, destaca a escassez de oportunidades profissionais. Ela ressalta que a exaustiva escala de trabalho 6x1 prejudica a qualificação dos jovens periféricos, que perdem horas preciosas em longos deslocamentos diários.
Educação e inclusão social
A demanda por ensino técnico e suporte para crianças atípicas também é urgente. João*, morador da zona norte, cobra a continuidade de cursos profissionalizantes e creches preparadas para acolher alunos com autismo, oferecendo suporte real para famílias que enfrentam a precariedade do Estado.
Enfrentamento ao racismo e saúde
A questão racial atravessa todas as carências locais, já que 70% dos moradores de favelas cariocas são negros. Hugo Oliveira, fundador da Galeria Providência, alerta que o racismo estrutural impacta desde o atendimento médico até as abordagens policiais violentas e a vulnerabilidade habitacional frente a desastres climáticos.
Segurança pública sob nova perspectiva
Diferente do discurso político focado em confrontos armados, os moradores associam segurança à qualidade de vida. Bruno Rafael Castilho Alves, ativista da Cidade de Deus, critica a exaltação da violência nas campanhas. Ele defende que a verdadeira proteção social vem de investimentos em cultura, esporte e inteligência policial.
Para a especialista Eblin Farage, a ausência de políticas históricas de segurança bem-sucedidas faz com que a população desacredite no modelo atual de incursões. Ela conclui que o fortalecimento de lideranças locais e o diálogo direto com o Legislativo são caminhos essenciais para garantir direitos fundamentais.
*Nome fictício utilizado a pedido do entrevistado.
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