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Quinta-feira, 10 de Setembro 2026
Educação

Pisa 2025: Brasil reduz distância para a OCDE, mas mantém nível baixo de ensino

Especialistas apontam que a aproximação ocorreu pela queda da média internacional, exigindo avanços reais na aprendizagem dos alunos.

Portal Paraná Urgente
Por Portal Paraná Urgente
Pisa 2025: Brasil reduz distância para a OCDE, mas mantém nível baixo de ensino
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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Os dados do Pisa 2025 revelam que o Brasil reduziu a diferença de desempenho em relação aos países membros da OCDE, embora o nível de aprendizagem nacional permaneça preocupante. O resultado, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, ocorreu principalmente por conta do recuo na média dos países desenvolvidos do que por um avanço significativo dos estudantes brasileiros.

Segundo Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, o país conseguiu manter seus indicadores estáveis, evitando retrocessos. No entanto, o especialista ressalta que o grande desafio nacional permanece em gerar ganhos consistentes e efetivos na aprendizagem da educação básica.

Coordenado pela OCDE, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes avalia a cada três anos o conhecimento de jovens de 15 anos nas áreas de matemática, leitura e ciências. A avaliação serve como parâmetro global para mensurar a qualidade das políticas públicas educacionais implementadas nos países participantes.

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O 1º vice-presidente da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe), Rodrigo Fulgêncio, reforça que a evolução brasileira no longo prazo foi notável em ciências e leitura. Ele destaca, porém, que a aproximação em matemática se deveu precipuamente à queda no desempenho dos países da OCDE.

Em 2025, a pontuação brasileira manteve-se próxima à de 2022: 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Em contrapartida, a média de 23 países da OCDE registrou 466, 469 e 486 pontos, respectivamente. Como cada 20 pontos correspondem a um ano escolar, o Brasil apresenta um atraso de aproximadamente 4,6 anos em matemática.

Apesar da distância expressiva, a diferença histórica diminuiu consideravelmente entre 2006 e 2025. O hiato caiu de 102 para 58 pontos em leitura, de 131 para 92 em matemática e de 113 para 77 em ciências, demonstrando uma redução gradual ao longo das duas últimas décadas.

Ganhos em escala

O gerente da CASIO Educação, Jalman Lima, enfatiza que evitar a queda observada internacionalmente é positivo, mas o patamar brasileiro continua baixo. Apenas 28% dos estudantes alcançaram o nível 2 em matemática, considerado o patamar mínimo de conhecimento pela avaliação internacional.

De acordo com Lima, é indispensável transformar a estabilidade em evolução real, estimulando a capacidade dos alunos de interpretar problemas e criar estratégias. O especialista pondera que o país possui uma enorme carência de estudantes situados nos níveis mais avançados de proficiência matemática.

Felipe Proto também aponta que a trajetória escolar dessa geração sofreu forte impacto da pandemia da covid-19. Para o gestor da Fundação Lemann, a recomposição das aprendizagens é crucial para superar as desigualdades de desempenho e impedir que alunos fiquem desamparados.

Desigualdades educacionais

Entre os principais gargalos identificados por Rodrigo Fulgêncio, estão as acentuadas disparidades socioeconômicas. Em ciências, a diferença entre os 25% mais favorecidos e os 25% mais vulneráveis atinge 96 pontos, valor equivalente a quase cinco anos de escolarização regular.

No Brasil, a pesquisa avaliou 30.140 estudantes, a maioria matriculada em escolas estaduais urbanas no ensino médio. No total global, o exame abrangeu 760 mil jovens em 91 países, tendo o letramento científico como foco principal desta edição.

Proto reforça que, além de observar a posição no ranking, o país precisa tratar a melhoria da aprendizagem como uma prioridade nacional. O objetivo central deve ser assegurar o desenvolvimento de competências essenciais para a participação cidadã no século XXI.

Tecnologia em sala de aula

Os questionários contextuais indicaram que 81% dos alunos brasileiros estudavam em escolas com restrições ao uso de celulares em 2025, índice superior aos 37% de 2022 e à média da OCDE de 49%. O Ministério da Educação destaca que a medida reduz distrações no ambiente escolar.

Por outro lado, hábitos como a leitura apressada e imprecisa quase dobraram desde 2018. Além disso, 28% dos estudantes relatam distrações frequentes com telas durante as aulas de ciências, enquanto 46% já utilizam inteligência artificial semanalmente nos estudos.

Diante desse cenário, Fulgêncio adverte que a tecnologia não garante aprendizagem por si só. O grande desafio educacional contemporâneo consiste em ensinar os estudantes a ler com profundidade, desenvolver senso crítico e utilizar recursos digitais como ampliadores do pensamento.

FONTE/CRÉDITOS: Por Redação Paraná Urgente

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