A Polícia Federal (PF) divulgou nesta quarta-feira (24), que o Banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo, teria operado sob um esquema financeiro similar ao que levou à liquidação do Banco Master. Segundo a PF, o Digimais teria utilizado manobras contábeis para inflar o valor de seus ativos e ampliar a captação de recursos, empregando estratégias semelhantes às investigadas na instituição de Daniel Vorcaro.
Esquema de ocultação financeira
A investigação aponta que o Banco Digimais teria superavaliado títulos, imóveis e carteiras de crédito. Além disso, a instituição teria oferecido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração acima da média do mercado e utilizado estruturas financeiras complexas para conferir uma falsa aparência de solidez.
Outra prática apontada pela PF é a substituição sucessiva de auditorias independentes. O objetivo seria evitar a detecção de irregularidades e ressalvas nos balanços financeiros do banco, dificultando a fiscalização.
Conexões e executivos investigados
A investigação também reforça a proximidade entre as duas instituições financeiras. O Digimais chegou a adquirir ativos do Banco Master e, em determinado momento, negociou sua venda com Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
A ascensão do Digimais coincidiu com a nomeação de executivos ligados ao círculo empresarial de Edir Macedo para cargos de alta gestão. Entre os investigados na Operação Miragem estão João Luiz Urbaneja, presidente do Conselho de Administração do banco, e seu filho, Thiago Rodrigues Urbaneja, que ocupava a presidência executiva.
Convênio com governo de SP e impacto em negociações
Paralelamente, o Ministério Público de São Paulo arquivou um pedido para investigar a autorização concedida pelo governo do estado para que o Banco Digimais oferecesse empréstimos consignados a policiais militares. O convênio, publicado em setembro de 2025, abriu um mercado potencial de mais de 80 mil profissionais para o banco.
As negociações para a compra do Banco Digimais pelo BTG Pactual, que já estavam paralisadas, devem ser definitivamente abandonadas após a operação da PF. A necessidade de uma injeção de recursos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para viabilizar o negócio perdeu força com a deflagração da investigação.
Análise do esquema
Especialistas do setor apontam que o esquema investigado no Banco Digimais replica a tecnologia de fraude utilizada no Banco Master. No entanto, uma diferença crucial é a estrutura de poder por trás do Digimais, que inclui um partido político, uma emissora de televisão e capelães dentro da Polícia Militar de São Paulo, configurando um projeto de poder de longo prazo.
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