A Polícia Federal encontrou uma fotografia que registra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao lado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro fumando charutos em um clube privado de Londres, em abril de 2024. A imagem, revelada pelo jornal Folha de S.Paulo, foi enviada pelo ex-advogado do Banco Master, Ciro Soares, e passa a integrar as investigações do escândalo financeiro que atinge autoridades do Judiciário.
O encontro ocorreu no George Club, localizado no bairro nobre de Mayfair, e incluiu momentos de descontração com uísque e charutos. A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade do registro, mas afirmou que a fotografia “não mostra intimidade” e que o evento ocorreu antes de o Banco Master se tornar alvo de investigações formais.
Contradições sobre o custeio e a natureza do encontro
Apesar da defesa institucional, a manifestação da Procuradoria deixou lacunas importantes sobre os detalhes do evento em Londres. Diferentes pontos do episódio continuam sem esclarecimento oficial:
- A PGR destacou que o banco não era patrocinador oficial do evento;
- Pessoas com conhecimento da investigação apontam que o encontro teria sido custeado por Vorcaro;
- Não foi esclarecido quem pagou pela ocasião ou em quais condições o chefe do órgão ministerial participou.
O novo registro visual confronta diretamente a versão apresentada anteriormente por Gonet, que havia classificado o seu contato com o empresário como algo “brevíssimo e banal”. A revelação amplia os questionamentos sobre o grau de proximidade entre figuras centrais do sistema de justiça e o ex-dono do Banco Master.
Defesa cita manifestação do STF
Para tentar afastar suspeitas sobre o procurador-geral, a assessoria da PGR recorreu a uma declaração recente do ministro André Mendonça durante uma sessão do Supremo Tribunal Federal. Na ocasião, Mendonça afirmou que não havia gravidade nas menções a Gonet encontradas nas mensagens extraídas do celular de Vorcaro.
Embora a manifestação do ministro trate do conteúdo textual das conversas, a fotografia acrescenta um elemento novo: a presença física de ambos em uma ocasião social privada. O caso segue sob escrutínio, uma vez que cabe à própria Procuradoria-Geral da República avaliar crimes e decidir sobre a abertura de investigações contra autoridades com foro privilegiado.
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