Um relatório recente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) entregue à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aponta riscos críticos à infraestrutura de cabos submarinos no Brasil, que são responsáveis por mais de 97% do tráfego de dados internacionais do país. O documento alerta para a vulnerabilidade desses cabos, especialmente nos pontos em que chegam em terra firme, e sugere medidas para mitigar ataques físicos e sabotagens.
Principais Riscos Identificados
O relatório do GSI e Anatel destaca que os principais riscos não estão nas profundezas do oceano, mas sim nas áreas costeiras e terrestres. Entre as ameaças, estão:
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Vulnerabilidade em terra: Muitos componentes dos sistemas de cabos submarinos ficam em terra firme, em estruturas como os "beach manholes" (BMHs), que podem ser confundidos com bueiros comuns e são pouco protegidos.
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Interferência de obras civis: A baixa conscientização sobre a existência dessas instalações críticas leva a rompimentos de fibra óptica durante escavações, pavimentações e dragagens.
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Concentração de cabos: Cidades como Fortaleza (CE), Praia Grande (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA) são hubs importantes, concentrando grande parte dos pontos de aterragem. Essa concentração cria um ponto de falha significativo, tornando-as alvos potenciais para ataques coordenados.
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Vandalismo e furtos: Instalações visíveis ou mal protegidas são suscetíveis a atos de vandalismo e furtos.
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Atividades de pesca e ancoragem: A pesca de arrasto e a ancoragem de navios em águas rasas próximas à costa representam um risco de rompimento dos cabos.
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Ausência de especialistas e atualização regulatória: O relatório também aponta a falta de profissionais especializados e a necessidade de atualizar as regulamentação para o setor.
Medidas Sugeridas para Proteção
Para garantir a segurança e a resiliência da infraestrutura de cabos submarinos, o relatório apresenta diversas recomendações, incluindo:
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Proteção física: Implementação de sensores, cercas e câmeras em BMHs e estações de aterragem de cabos (CLS) para aumentar a segurança física.
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Conscientização: Promover a conscientização de autoridades e da sociedade sobre a importância dos cabos submarinos e a necessidade de proteção.
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Mapeamento e monitoramento: Melhorar o mapeamento e o monitoramento dos cabos, com sistemas de detecção e notificação de incidentes.
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Diversificação de rotas: Incentivar a diversificação de rotas e tipos de cabos submarinos para aumentar a resiliência da rede.
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Planos de contingência: Desenvolver e implementar planos de resposta a incidentes e recuperação em caso de falhas ou ataques.
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Acordos internacionais e parcerias público-privadas: Estabelecer acordos internacionais para troca de informações e recursos, além de fomentar parcerias entre órgãos públicos e empresas privadas para monitoramento e proteção.
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Formação de especialistas: Incentivar a formação de profissionais especializados em segurança de cabos submarinos.
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Priorização de investimentos: Direcionar investimentos para tecnologias e práticas que aumentem a segurança e a capacidade de manutenção dos cabos.
Essas medidas são cruciais para a soberania digital e a estabilidade das comunicações no Brasil, garantindo a continuidade dos serviços essenciais que dependem da conectividade global.
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