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Quarta-feira, 22 de Abril 2026

Justiça

STF volta ao centro do debate: ações sobre aborto podem redefinir direitos reprodutivos no Brasil

Em seu último dia no Supremo, Luís Roberto Barroso votou pela descriminalização do aborto até 12 semanas e ampliou a atuação de enfermeiros. Agora, cabe a Edson Fachin decidir o futuro do tema.

Clécio Silva
Por Clécio Silva
STF volta ao centro do debate: ações sobre aborto podem redefinir direitos reprodutivos no Brasil
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O último voto de Barroso reacende debate nacional

O agora ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, utilizou seu último dia na Corte para se manifestar em três ações decisivas sobre o aborto no Brasil.

Barroso votou pela descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação e autorizou a participação de enfermeiros e técnicos de enfermagem nos casos de aborto já previstos por lei. As medidas têm caráter liminar, ou seja, valem de forma provisória até o julgamento definitivo pelo plenário, agora presidido por Edson Fachin.

As decisões colocam o STF novamente no centro do debate sobre direitos reprodutivos, saúde pública e legislação penal.

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ADPF 442: o cerne da descriminalização

A ADPF 442, protocolada em 2017 pelo PSOL e pelo Anis Instituto de Bioética, questiona a constitucionalidade dos artigos do Código Penal que criminalizam o aborto voluntário.

O julgamento começou em 2023, quando a então relatora Rosa Weber, também em seu último ato antes da aposentadoria, votou pela descriminalização do aborto até 12 semanas.

Barroso acompanhou o voto de Weber, argumentando que o aborto deve ser tratado como questão de saúde pública, não como crime.

“A criminalização apenas empurra mulheres para a clandestinidade e o risco de morte”, destacou Barroso em seu voto.

O julgamento, no entanto, foi suspenso novamente após um pedido de destaque do ministro Gilmar Mendes, que interrompeu a sessão virtual. O tema só será retomado quando Mendes liberar o processo e Fachin definir nova data para votação.


ADPFs 989 e 1207: acesso ao aborto legal e papel da enfermagem

As ADPFs 989 e 1207 tratam da efetividade do aborto legal e da autorização para que profissionais não médicos possam auxiliar nos procedimentos.

Na ADPF 1207, proposta em fevereiro de 2025 por entidades como o PSOL e a Associação Brasileira de Enfermagem, pede-se o reconhecimento de que enfermeiros e obstetrizes possam atuar nos casos já permitidos por lei.

Já a ADPF 989, movida por organizações da sociedade civil, busca o reconhecimento de violações de direitos fundamentais causadas pelas barreiras impostas ao acesso ao aborto legal no SUS.

Barroso, relator de ambas as ações, autorizou que enfermeiros possam participar dos procedimentos e determinou que órgãos públicos não imponham obstáculos não previstos em lei, como boletins de ocorrência ou limites gestacionais arbitrários.

“Há um verdadeiro vazio assistencial no atendimento a meninas e mulheres vítimas de violência sexual”, afirmou o ministro em sua decisão.


Maioria do STF vota contra liminar de Barroso

Embora a decisão de Barroso tenha efeito imediato, a maioria dos ministros já votou para derrubar a liminar.
Entre os contrários estão Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Nunes Marques, André Mendonça, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Os votos restantes devem ser depositados até sexta-feira (24), quando o plenário concluirá a análise.

Gilmar Mendes, que abriu a divergência, argumentou que não há urgência na matéria e que os processos estavam tramitando regularmente sob a relatoria anterior de Edson Fachin.

Com a aposentadoria de Barroso, cabem agora ao ministro Fachin a relatoria definitiva e a definição de quando os casos irão a julgamento no plenário.


Especialista: “As ações corrigem uma defasagem histórica”

Para a antropóloga e pesquisadora Débora Diniz, professora da Universidade de Brasília (UnB) e referência em direitos reprodutivos, as ações não criam novos direitos, mas buscam corrigir falhas estruturais.

“Essas ações tratam da assistência de saúde, de como melhor oferecer o serviço para aquilo que já está previsto em política pública”, explicou.

Segundo Diniz, o Brasil ainda enfrenta graves barreiras no acesso ao aborto legal, especialmente entre mulheres pobres e vítimas de violência sexual, o que reforça a importância da decisão do STF para garantir direitos já reconhecidos pela legislação.


O que está em jogo

O julgamento das ações sobre aborto promete ser um dos mais significativos da década no Supremo. O resultado poderá definir como o Estado brasileiro trata a saúde reprodutiva das mulheres — entre o campo da criminalização ou o da política pública.

Independentemente do desfecho, o tema deve reacender o debate no Congresso, nas redes sociais e nas ruas, consolidando o aborto como uma das pautas mais sensíveis e polarizadoras da sociedade brasileira.

FONTE/CRÉDITOS: Clécio Silva
Clécio Silva

Publicado por:

Clécio Silva

Clécio Silva, Brasileiro, casado, cristão. Residente em Maringá há 34 anos. Apresentador, comunicador, empresário e jornalista com registro profissional nº 0011449/PR. Está na área de comunicação há 36 anos, sendo 29 como profissional.

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