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Terça-feira, 12 de Maio 2026
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A ética flutuante.

Contos de futebol

Júlio Castro
Por Júlio Castro
A ética flutuante.
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O camisa dez vem em velocidade, pede a bola, recebe e com habilidade e muita ginga, livra-se do marcador e prepara a enfiada de bola para o centroavante, mas nesse momento um volantão, daqueles que muitos “professores” gostam, chega pisando no seu pé. Fim do lance, o rapaz saindo de maca e levando de recordação as marcas das travas do adversário distribuídas entre seu tornozelo e peito do pé. No mesmo instante o volante berra na cara do juizão que foi na bola, seus companheiros cercam o árbitro e pressionam, todos indignados com a marcação, todos também certos de que o pé do adversário deve estar latejando de dor. Na beira do campo, quase invadindo, todos do banco de reservas do time do valente camisa cinco, atletas e comissão técnica, esbravejam ao mesmo tempo que xingam o quarto árbitro e o bandeirinha mais próximo. Uma semana depois, essa mesma equipe, empatando um jogo aos 45 do segundo tempo e precisando muito dos tais três pontos e tendo um escanteio a seu favor, entra na área adversário com seus onze jogadores, pois seu goleiro de mais de um e noventa de altura, atravessou todo o campo e foi tentar a sorte. O meia habilidoso, cirúrgico nos lançamentos e cobranças de falta ajeitou a bola, respirou fundo, mirou a testa do seu centroavante e bateu o escanteio perfeitamente, a torcida adversária congela, os dois técnicos paralisam, o narrador aumenta o tom e prepara o grito, a zaga desesperada assiste a parábola da gorduchinha que vai ao encontro e do voo do camisa nove. A sensação de gol é enorme e vale vaga. Mas daí ocorre que neste jogo tem outro volantão, que sem pensar nas consequências, enfia o cotovelo no meio das costas do centroavante, stee perde o rumo e não alcança a bola cruzada. Voltamos aos momentos de gritaria, esperneio, mão na cabeça, bafão na cara do “Seo Juiz” e coisa e tal. Mas não adianta e o homem de amarelo, que já vestiu preto um dia, não dá nada e acaba o jogo. Depois de toda protocolar confusão, chegamos as entrevistas e o capitão do time, por coincidência o tal do camisa 5 que pisou no pé do garoto no jogo anterior, viu ele sair de campo carregado e urrando de dor, num lance que não recebeu amarelo e ainda negou que acertou o adversário, afirmando que o garoto saiu do jogo porque devia estar cansado. Pois este sujeito, muito apropriadamente Capitão de sua equipe, aproveitou os microfones e falou da vergonha que se transformou o futebol brasileiro. Ele e alguns de seus bem remunerados colegas também estiveram envolvidos num tal esquema de apostas, ele mesmo e o goleiro de sua equipe, aquele que tentou a glória aos 45 do segundo tempo, atravessando o campo para tentar o gol, saíram de campo furiosos, foram em direção a própria torcida, receberam aplausos e gritos de apoio, beijaram o distintivo de suas camisas e semanas depois, ao receberem proposta financeira vantajosa, largam o Clube. Tal e qual aqueles que apontaram o dedo para o garoto que fez o gol enquanto o tendão do goleiro do Santos arrebentava e sublinharam a frase, falta de ética, esses do meu conto e muitos da vida real, violentam a ética diariamente e não estão nem aí com a imagem mal-acabada do futebol brasileiro. Mas vem uma nova rodada, o centroavante faz um gol o goleiro uma bela defesa, o camisa dez um golaço e o meia habilidoso coloca uma cobrança de falta no angulo e a vida segue. Viva o País do Futebol.  

Júlio Castro

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