Nascido da união de dois Clubes com administrações e anseios completamente diferentes, que em comum traziam além da paixão de seus torcedores e antigas fusões, bons patrimônios. O Paraná Clube surge radiante, vencedor e imponente no cenário modorrento do futebol paranaense da época. Estávamos no final da década de noventa e os Clubes do Estado não conseguiam empolgar após um sopro de esperança com o título brasileiro do Coxa em 85, que em pouco tempo deixou claro que faltavam ao futebol do Estado, organização, líderes, gestão e uma imprensa forte. A conquista do Coritiba não alavancou o esporte paranaense como poderia e voltamos para nossa realidade regional, limitada a anseios que não ultrapassavam as nossas fronteiras. Colocando o título estadual como o grande e único objetivo a perseguir. Neste ambiente acanhado surge o Paraná Clube com a força administrativa e financeira dos pinheirenses e a exuberância da massa boca negra, garantia de investimentos e estádios lotados. As escolhas certeiras do nome, símbolo e das cores, entregou ao mesmo tempo o frescor das boas ideias e reacendeu a chama das disputas que estava praticamente apagada, limitada a um Athletiba aqui, um Londrina e Grêmio ali e olhe lá. Dois a três meses de estadual e os demais assistindo disputas em terras distantes, engolindo narrativas exageradas e até mesmo mentirosas sobre grandes times, craques e lindas jogadas, entregues pela imprensa carioca e paulista. O nascimento do Paraná Clube, que logo engoliu seus adversários e tomou conta do futebol paranaense, provocou reações em dirigentes de Athletico e Coritiba. Dirigentes que em sua absoluta maioria eram torcedores, passionais e sem muito entendimento do mundo da bola, nenhum deles com trânsito e reconhecimento verdadeiro dentro da CBF e com ideias engessadas e muita falta de ambição. Os anos de glória capitaneados por Evangelino, a revolução de Jofre, tudo tinha passado, acabaram e das Vilas de Curitiba, Olímpica e Capanema surgia a esperança. Sequência de títulos, grandes jogos e vitórias espetaculares que catapultaram o nome do Clube e elevaram a categoria de ídolos diversos atletas. Marcos, Adoílson, Serginho, Marquinhos Benatto, Saulo, Gralak, João Antônio, Paulo Miranda, Carlinhos Sábia, Maurilio e muitos outros que iluminaram as mentes paranistas e contribuíram para formar o respeito e dar peso a linda camisa azul e vermelha. Mas os anos de má administração, quando as vantagens pessoais superaram os interesses em prol do Clube, deixando um enorme passivo e problemas quase impossíveis de se resolverem, afundou o Paraná Clube, provocando seguidas quedas e o abatimento de sua enorme torcida. Pulando muito tempo de humilhações imerecidas, provocadas por ganância e incompetência de poucos que machucaram muitos, chegamos ao ano de 2026 e nele os primeiros sinais de que a força voltou e com ela a esperança de dias muito melhores. Numa campanha impecável, que cresce à medida que os dias passam e os atletas se conhecem melhor e ganham confiança, culminando numa festa regada a muitos gols na partida de volta das quartas de final o Paraná Clube deixa a clara impressão que novamente tem um norte. Esperamos todos, esportistas e fãs do futebol, que estejamos vendo a Gralha Fênix preparando-se para voos muito altos e para retomada de seu lugar entre os grandes Clubes do Brasil. Torcida para isso não faltará.
Dedico esta Coluna a todos, paranistas ou não, que encontram no futebol um lugar de congraçamento, de alegria, de reunião entre pessoas. Que entendem que podemos e devemos extravasar, gritar, torcer, rir e chorar, sem jamais ferir o próximo. Qualquer vitória perde seu valor sem o respeito ao adversário. Dedico principalmente aos meus amigos tricolores mais próximos que sofreram nos últimos anos, mas jamais desistiram ou abandonaram a paixão pelo Tricolor da Vila.
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