Os organizadores da Bienal do Livro do Rio de Janeiro lançam, em 2024, uma edição especial da Bienal nas Escolas, marcando a primeira vez que o projeto acontece fora do ano do evento principal. Com o objetivo de estimular a leitura entre estudantes da rede pública, a iniciativa adota o tema da Copa do Mundo e teve seu pontapé inicial em abril, na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, em Oswaldo Cruz, zona norte do Rio.
Após a visita inicial à Escola Municipal Maria das Dores Negrão, a programação da Bienal nas Escolas segue para a Escola Municipal Sarmiento, no Engenho Novo, em 11 de junho. A expectativa é que o projeto alcance, no mínimo, seis instituições de ensino ao longo do ano.
A iniciativa é uma colaboração entre a GL Events Exhibitions, responsável pela organização da Bienal do Livro do Rio, e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL). Bruno Henrique, diretor de Marketing e Conteúdo da GL, destacou à Agência Brasil a relevância de levar o projeto diretamente aos alunos.
"É no ambiente escolar que o senso crítico se desenvolve e onde se consolidam os valores essenciais de educação e aculturamento, assim como em casa", explicou Henrique. Ele ressaltou o carinho da equipe pelo projeto, que "emerge da compreensão do propósito e da força da Bienal do Livro do Rio".
A literatura em campo: o álbum da Copa
Para criar uma conexão com o mundial de futebol, a Bienal nas Escolas distribui um "álbum de figurinhas" temático. Ele apresenta uma seleção literária com personagens icônicos de diversas culturas, como Dom Quixote, Sherazade, Iara, Sherlock Holmes e Peter Pan.
"É impossível ignorar a Copa do Mundo, que engaja nações inteiras, incluindo o Brasil", afirmou o diretor. Ele pontuou que a dinâmica do álbum de figurinhas, sempre ligada ao evento esportivo, atrai o público infantil, mesmo aqueles sem interesse em futebol.
A troca de figurinhas e o processo de completar o álbum incentivam uma interação lúdica com as narrativas. Isso amplia o contato das crianças com diversas referências da literatura mundial.
Bruno Henrique enfatiza que o propósito da Bienal é posicionar o livro como fonte de ludicidade, entretenimento e prazer, sem deixar de lado seu papel fundamental na educação e na cultura. O tema escolhido para este ano é "Livros Mudam o Jogo".
Com o patrocínio da OLX e da Accenture, o projeto prevê a doação de 100 livros para cada escola participante. Essa ação visa fortalecer os acervos das bibliotecas e salas de leitura.
Encontros inspiradores com escritoras
Na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, a escritora Kiusam de Oliveira, renomada na literatura afrodidática, foi a convidada especial. Ela destacou a relevância da representatividade, da educação e do estímulo à imaginação desde os primeiros anos de vida.
Kiusam descreveu o encontro como "potente", afirmando: "Reconheço as histórias e as vivências desses estudantes. Como mulher preta e professora há mais de 40 anos, incorporo essa trajetória em minha escrita".
Para Kiusam de Oliveira, o processo de leitura começa muito antes das palavras, com a interpretação do próprio mundo ao redor.
"Isso é o que me impulsiona como educadora e escritora", declarou. "Quando a criança se vê e se reconhece nas histórias, ela compreende que pode sonhar e transformar sua realidade. Meu compromisso é escrever para que essas crianças aprendam a sonhar e se percebam como seres potentes".
Lara Braga, uma estudante de 10 anos, expressou sua admiração pelos livros de Kiusam, citando "Com qual penteado eu vou" e "Tayó em quadrinhos" como seus favoritos.
"Gosto porque eles abordam temas importantes, como o respeito ao cabelo e à cor da pele", explicou a menina. Ela acrescentou que a leitura "nos afasta um pouco das telas, nos leva a outros lugares, estimula a imaginação e nos prepara para o futuro".
O próximo encontro literário contará com a presença da escritora Andrea Taubman, que discutirá seu livro "Não me toca, seu boboca!", um sucesso entre o público infantil. A seleção dos autores é realizada em colaboração com as secretarias municipais e estaduais de Educação.
Inicialmente, Bruno Henrique detalhou que o projeto planeja visitar cinco escolas este ano. A expectativa é beneficiar cerca de mil alunos com idades entre 6 e 10 anos.
"Esse número, no entanto, pode ser ampliado caso haja um maior apoio da iniciativa privada", complementou o diretor.
Impacto e incentivo à leitura
Desde 2019, a Bienal nas Escolas já visitou 25 instituições, atendendo, em média, 170 alunos por visita. Somente no ano anterior, 11 escolas foram contempladas, totalizando 2,2 mil estudantes participantes.
No ano passado, renomados escritores como Bia Bedran, Thalita Rebouças, Jessé Andarilho e Rodrigo França participaram dos encontros em escolas da capital e da Baixada Fluminense.
Uma pesquisa conduzida em 2023, após as visitas do projeto, revelou um aumento significativo de 25% na procura por livros em bibliotecas municipais e estaduais.
"Percebemos que, por onde o projeto passou, houve uma transformação no comportamento, na cultura e na busca pela leitura", avaliou Bruno Henrique. Ele concluiu que "o reforço do impacto positivo no ambiente escolar e o aumento na procura por livros no ano passado foram cruciais para confirmar que estamos no caminho certo com a iniciativa".
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