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Quarta-feira, 20 de Maio 2026
Utilidade Pública

Brasil alcança menor índice de sub-registro de nascimentos e óbitos

Dados do IBGE revelam avanços significativos, mas persistem desafios para populações vulneráveis na garantia de registro civil.

Portal Paraná Urgente
Por Portal Paraná Urgente
Brasil alcança menor índice de sub-registro de nascimentos e óbitos
© Marcello Casal/Agência Brasil
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O Brasil registrou em 2024 o menor percentual de sub-registro de nascimentos de sua série histórica, atingindo 0,95% e marcando a primeira vez que o indicador nacional ficou abaixo de 1%. Essa conquista, divulgada nesta quarta-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas Estimativas de Sub-Registro de Nascimentos e Óbitos (2024), reflete avanços expressivos na cobertura do sistema de registro civil, impactando diretamente a precisão das estatísticas de nascimentos e óbitos no país.

Apesar da melhoria nacional, as disparidades regionais persistem. As regiões Norte e Nordeste continuam a apresentar os maiores índices de subnotificação de nascimentos, com Roraima liderando com 13,86%, seguido por Amapá (5,84%), Amazonas (4,40%), Piauí (3,98%) e Sergipe (3,10%).

Em contrapartida, estados como Paraná (0,12%), Distrito Federal (0,13%), São Paulo (0,15%), Rio Grande do Sul (0,21%) e Minas Gerais (0,23%) registraram as menores taxas, evidenciando a heterogeneidade na cobertura do registro civil.

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A análise dos locais de ocorrência dos nascimentos também mostra progresso: o percentual de nascidos vivos em hospitais não registrados em cartório caiu de 3,94% em 2015 para 0,83% em 2024.

A idade materna influencia diretamente o sub-registro. Nascimentos de mães com menos de 15 anos apresentaram a maior taxa (6,10%), enquanto a menor incidência foi observada entre mães de 35 a 39 anos (0,63%), indicando uma correlação com a maturidade e o acesso à informação.

O IBGE ressalta que o sub-registro de nascimentos tem sido uma pauta prioritária para as políticas públicas brasileiras, especialmente em áreas remotas e entre populações vulneráveis.

Esse compromisso se consolidou com o Decreto nº 6.289/2007, que criou o Compromisso Nacional pela Erradicação do Sub-registro Civil de Nascimento. Posteriormente, o Decreto nº 10.063/2019 atualizou e expandiu essa iniciativa, reforçando a busca pela erradicação do sub-registro e a ampliação do acesso à documentação básica.

Tais políticas federais são complementadas por normativas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Dentre as ações implementadas, destacam-se a gratuidade universal do registro de nascimento, a criação de unidades de registro civil em maternidades e hospitais, a organização de mutirões de regularização e a integração de sistemas entre cartórios e serviços de saúde.

A relevância dessas medidas é ainda maior ao considerar que o sub-registro de nascimentos e óbitos impacta desproporcionalmente as populações mais vulneráveis, como comunidades rurais, povos indígenas e grupos em situação de pobreza.

O IBGE enfatiza que "essa invisibilidade estatística perpetua as desigualdades e dificulta o desenho de políticas públicas efetivas para garantir os direitos de todas as crianças e adolescentes". Por isso, aprimorar os sistemas de registro civil e de informação em saúde é crucial para diminuir as iniquidades sociais e territoriais, fortalecendo a cidadania desde o nascimento.

Redução no sub-registro de óbitos

Em 2024, o sub-registro de óbitos no Brasil também apresentou uma queda significativa, chegando a 3,40%. Esse valor representa uma redução de cerca de 1,5 ponto percentual em comparação com a taxa de 4,89% registrada em 2015.

Assim como nos nascimentos, o cenário de óbitos revela grandes diferenças regionais. Maranhão (24,48%), Amapá (17,47%), Piauí (16,15%), Pará (16,10%) e Roraima (10,91%) registraram os maiores índices de sub-registro.

Por outro lado, Rio de Janeiro (0,14%), Distrito Federal (0,17%), Paraná (0,56%) e São Paulo (0,65%) destacaram-se pelas menores taxas, indicando uma cobertura mais eficiente do registro de óbitos nessas localidades.

As menores taxas de sub-registro de óbitos foram verificadas em ambientes hospitalares (2,85%) e em outros estabelecimentos de saúde sem internação (2,55%), sugerindo que a institucionalização do óbito facilita o registro.

Em relação à idade do falecido, as maiores estimativas de sub-registro foram notadas na mortalidade infantil, para menores de 1 ano (10,80%), e na mortalidade na infância, para crianças de 1 a 4 anos (7,74%).

A mortalidade infantil, em particular, apresenta um sub-registro alarmante nas regiões Norte (26,55%) e Nordeste (17,58%). As regiões Sudeste (2,67%), Sul (2,96%) e Centro-Oeste (5,86%) mostram taxas consideravelmente mais baixas.

Esses resultados confirmam uma tendência de melhoria contínua na série histórica, atribuída aos esforços de integração e qualificação dos sistemas de informação sobre mortalidade.

É fundamental destacar que as estimativas de sub-registro e subnotificação são cruciais para o cálculo das projeções populacionais e das tábuas de mortalidade, além de servirem como base para a avaliação da qualidade dos sistemas de informação em saúde.

A relevância do registro civil é reforçada pela Meta 16.9 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), que visa assegurar uma identidade legal para todos, incluindo o registro de nascimento. Essa meta sublinha o registro de nascimento como um direito fundamental para o acesso a serviços essenciais e a plena cidadania.

FONTE/CRÉDITOS: Por Redação Paraná Urgente

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