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Quarta-feira, 13 de Maio 2026
Política

Deputados pedem investigação sobre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro por financiamento de filme

A solicitação parlamentar surge após reportagem do The Intercept Brasil detalhar a negociação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro para um aporte milionário destinado a um filme sobre a família.

Portal Paraná Urgente
Por Portal Paraná Urgente
Deputados pedem investigação sobre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro por financiamento de filme
© Lula Marques/Agência Brasil
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Nesta quarta-feira (13), deputados federais dos partidos PT, PSOL e PCdoB anunciaram a formalização de uma denúncia à Polícia Federal (PF), um requerimento à Receita Federal e a solicitação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O objetivo é investigar a fundo a conexão entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, especialmente no que tange ao alegado financiamento de filme sobre a família Bolsonaro. Esta iniciativa parlamentar é motivada por uma reportagem do The Intercept Brasil que expôs a suposta negociação direta entre o senador e Vorcaro para um aporte financeiro milionário.

A base para o pedido de investigação é uma matéria do The Intercept Brasil, que detalhou a suposta negociação direta de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro para um vultoso investimento no financiamento de um filme focado na família Bolsonaro. Vale ressaltar que Vorcaro encontra-se detido, sob suspeita de chefiar uma organização criminosa envolvida em fraudes financeiras.

Evidências como trocas de mensagens e documentos, obtidas pelo veículo de comunicação, apontam que Flávio Bolsonaro teria cobrado Vorcaro pelos pagamentos. O montante envolvido na negociação, conforme o Intercept, giraria em torno de R$ 134 milhões, valor que seria crucial para viabilizar a produção do filme, que contaria com equipe e atores estrangeiros, sendo realizado no exterior.

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Um dos áudios revelados mostra Flávio Bolsonaro destacando a relevância do projeto cinematográfico e a urgência do repasse de recursos para cobrir “parcelas atrasadas”.

No áudio, o senador expressa: “Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”.

A reportagem, fundamentada em áudios e mensagens de WhatsApp vazadas, além de documentos e comprovantes bancários, indica que parte do valor teria sido transferida entre fevereiro e maio de 2025. Este suposto apoio financeiro implicaria em remessas internacionais de uma companhia ligada a Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos, administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador Flávio.

Investigação

O deputado federal Pedro Uczai (SC), líder do PT na Câmara, levantou questionamentos sobre a legalidade da transferência desses recursos.

“Esse recurso encaminhado lá nos EUA para o fundo que tem relação com o advogado de Eduardo Bolsonaro, passou pela Receita, teve cobrança tributária, foi declarado, é ilegal?”, indagou o parlamentar.

Segundo Uczai, um requerimento detalhando essas questões será enviado à Receita Federal. Adicionalmente, os deputados confirmaram que formalizarão uma denúncia à Polícia Federal (PF) solicitando a abertura de um inquérito para apurar possíveis ilícitos na relação entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro.

“Ninguém doa o valor de R$ 134 milhões se não tiver relação pessoal, política e até afetiva”, argumentou o deputado.

As mensagens divulgadas pela reportagem mostram o senador se referindo ao banqueiro como “irmão”, incluindo expressões como: “Estou e estarei contigo sempre”. Conforme o Intercept, essas conversas teriam acontecido pouco antes da primeira prisão de Vorcaro e da subsequente liquidação do Banco Master, determinada pelo Banco Central.

O deputado federal Tarcísio Motta (RJ), líder da federação PSOL/Rede na Câmara, apontou a existência de “indícios fortes” de quatro crimes na relação entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro: “Lavagem de dinheiro, corrupção passiva, tráfico de influência e financiamento ilegal”. Ele complementou: “Porque agora os nomes começam a se misturar”.

Por sua vez, a deputada Jandira Feghali (RJ), líder da bancada do PCdoB, salientou que o montante de R$ 134 milhões, supostamente destinado ao filme, é consideravelmente superior ao custo médio de produções cinematográficas, gerando dúvidas sobre a verdadeira finalidade do recurso. Ela fez uma comparação irônica entre o orçamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o de produções brasileiras aclamadas, como “Ainda Estou Aqui” e “Agente Secreto”.

“O Ainda Estou Aqui não passou de R$ 50 milhões. O Agente Secreto foi R$ 28 milhões de orçamento. Qual é a biografia que tem o senhor Jair Bolsonaro para ter um filme de R$ 134 milhões? É importante que a gente também apure para onde de fato, foi esse dinheiro. Para o bolso de quem foi, nós precisamos saber”, declarou a deputada.

Outro lado

Em nota oficial, Flávio Bolsonaro confirmou ter solicitado recursos para o financiamento do filme e reconheceu sua relação com Vorcaro, enfatizando, contudo, que se tratava de um relacionamento de caráter estritamente privado.

“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, defendeu o senador.

Flávio Bolsonaro afirmou ter conhecido Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, período em que “o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”.

“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”, explicou o parlamentar em sua declaração.

Na mesma nota, Flávio Bolsonaro negou veementemente ter acordado qualquer tipo de vantagem indevida em suas tratativas com o banqueiro.

“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro”, concluiu o senador.

FONTE/CRÉDITOS: Por Redação Paraná Urgente

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