Brasília, DF — O primeiro ano da gestão do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) à frente da Câmara dos Deputados foi marcado por uma decolagem meteórica — não apenas política, mas financeira. Um levantamento detalhado revela que os gastos com diárias para viagens oficiais de parlamentares saltaram de R$ 2,1 milhões em 2024 para R$ 3,8 milhões em 2025, uma alta expressiva de 78%.
O que chama a atenção é o abismo entre o reajuste das despesas e a realidade econômica do país: enquanto a inflação no período ficou em torno de 5%, o custo das viagens parlamentares ignorou qualquer freio orçamentário.
O Mapa da Mina: Destinos Internacionais Dominam o Ranking
Se você esperava ver deputados visitando o interior do Brasil para fiscalizar obras, os dados mostram outra realidade. No ranking dos dez destinos mais frequentes financiados pelo dinheiro público, nenhuma cidade brasileira aparece na lista.
Os "queridinhos" dos parlamentares em 2025 foram:
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Lisboa (Portugal): O topo da lista, impulsionado pelo polêmico "Gilmarpalooza" (Fórum Jurídico de Lisboa).
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Nova York (EUA): Roteiro da "Brazil Week".
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Londres (Inglaterra): Fórum empresarial organizado pelo grupo Lide.
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Roma (Itália) e Genebra (Suíça): Presenças constantes em fóruns internacionais.
Comparativo de Gastos: 2024 vs. 2025
| Indicador | 2024 (Gestão Anterior) | 2025 (Gestão Hugo Motta) | Variação |
| Gasto Total em Diárias | R$ 2,1 milhões | R$ 3,8 milhões | + 78% |
| Deputados Beneficiados | 153 | 202 | + 32% |
| Total de Diárias Pagas | 876 | 1.482 | + 69% |
O "Efeito Reajuste": Diárias de até R$ 2.800 por dia
Parte do aumento estratosférico explica-se por uma canetada de abril de 2024. O valor das diárias foi reajustado em 60%.
Atualmente, o presidente da Câmara recebe cerca de US$ 550 (aprox. R$ 2.869) por dia em viagens para fora da América do Sul. Para os demais deputados, o valor é de US$ 428 (aprox. R$ 2.233). Vale lembrar: esse valor cobre apenas alimentação e hospedagem; passagens aéreas e transporte local são pagos à parte.
Justificativas: De "Diplomacia Parlamentar" a Missões em Portos
O presidente Hugo Motta defende a escalada de gastos como necessária para a "diplomacia parlamentar", citando a presidência do Brasil no P20 e no Fórum do Brics como motores desse engajamento.
"O estado de tensão mundial faz com que seja natural que os deputados interajam mais com suas contrapartes estrangeiras", afirmou a assessoria de Motta.
Entre os deputados que mais utilizaram o recurso, as justificativas variam:
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Murilo Galdino (Republicanos-PB): Recebeu R$ 55 mil para conhecer a realidade portuária de outros países.
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Cláudio Cajado (PP-BA): Gastou R$ 12 mil em diárias (além de R$ 40 mil em passagens) para uma missão no Uzbequistão.
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Bia Kicis (PL-DF): Recebeu R$ 36 mil em diárias para missões que incluíram a observação das eleições de Donald Trump nos EUA.
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Pedro Paulo (PSD-RJ): Defende o gasto público por "questão de compliance", preferindo o dinheiro da Câmara ao patrocínio de empresas privadas em eventos.
Impacto Regional e Transparência
A bancada da Paraíba ganha destaque negativo no levantamento, com o presidente da Casa e o deputado Murilo Galdino figurando entre os principais nomes ligados ao aumento de gastos. Enquanto os gabinetes defendem a "entrega de resultados", o contribuinte questiona a prioridade de investimentos em fóruns jurídicos europeus em vez de demandas locais urgentes.
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