Durante o processo eleitoral do Estado do Rio de Janeiro, moradores de favelas priorizam investimentos em educação, geração de emprego e mobilidade urbana antes de pautas tradicionais de combate ao crime. Com mais de 2,1 milhões de eleitores vivendo nessas áreas no estado, a exigência por serviços públicos eficientes reflete um histórico de desigualdade e a busca por direitos fundamentais neglected pelo Poder Público.
Apenas na capital fluminense, cerca de 1,3 milhão de pessoas residem nas 813 comunidades mapeadas. Segundo a professora Eblin Farage, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a ausência contínua de saneamento, água encanada e transporte de qualidade evidencia a disparidade na atuação estatal, criando demandas urgentes que vão além da violência urbana cotidiana.
Inclusão profissional e transporte público
A falta de mobilidade é apontada por ativistas locais como um grande entrave ao desenvolvimento. A estudante Letícia Guimarães, de 16 anos, ressalta a dificuldade de deslocamento entre o Complexo do Alemão e a zona sul carioca, cenário que prejudica o acesso a vagas de trabalho, lazer e oportunidades acadêmicas oferecidas por programas sociais.
Da mesma forma, na Rocinha, a jornalista Isabelle Trindade enfatiza a necessidade de melhores condições no mercado de trabalho e defende o fim da escala 6x1. Segundo a profissional, a rotina cansativa aliada a longos trajetos compromete a qualificação dos jovens e limita o tempo dedicado ao convívio familiar.
Educação e combate ao racismo
A expansão da oferta de cursos técnicos e o fortalecimento do ensino de nível superior representam exigências centrais nas periferias. Na Favela do Rodo, a educadora Sara Sant'anna alerta para a escassez de polos universitários públicos na zona oeste, além de cobrar maior estrutura cultural e assistência para pessoas com deficiência.
Outro ponto decisivo envolve o enfrentamento do racismo estrutural e melhorias na saúde pública. Hugo Oliveira, fundador da Galeria Providência, defende que questões como abordagens policiais violentas e racismo ambiental afetam diretamente a qualidade de vida nas comunidades, devendo ser abordadas de forma aprofundada durante as campanhas políticas.
Críticas às operações policiais
Embora a segurança seja um fator presente no cotidiano, moradores criticam discursos pautados no confronto armado. Bruno Rafael Castilho Alves, idealizador de projetos sociais na Cidade de Deus, afirma que operações com tiroteios interrompem aulas, fecham serviços e colocam vidas inocentes em risco, sem solucionar a presença do crime organizado.
Para os especialistas ouvidos, a preferência de parte do eleitorado por propostas sociais decorre da falta de políticas de segurança eficazes no estado. Diante desse cenário, lideranças comunitárias buscam estreitar o diálogo com o Poder Legislativo para garantir a implementação de melhorias estruturais de longo prazo nas periferias do Rio.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se