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Terça-feira, 20 de Outubro 2026
Saúde

Quase 90% da desinformação em saúde na internet é falsa, aponta Agência Lupa

Relatório inédito analisa nove anos de monitoramento e revela estratégias usadas para espalhar mentiras sobre vacinas e tratamentos médicos.

Portal Paraná Urgente
Por Portal Paraná Urgente
Quase 90% da desinformação em saúde na internet é falsa, aponta Agência Lupa
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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A desinformação em saúde atinge patamares alarmantes no Brasil, segundo um novo levantamento divulgado pela Agência Lupa. O estudo indica que 87,3% dos materiais virais sobre o tema analisados entre março de 2017 e junho deste ano eram falsos, totalizando 667 conteúdos inverídicos em uma amostra de 764 publicações.

Batizada de Raio-X da Desinformação em Saúde, a pesquisa foi desenvolvida com o suporte da Afya, um importante grupo de ensino médico nacional. O material demonstra que a média anual ficou em torno de 72 boatos virtuais, o que representa cerca de seis ocorrências mensais espalhadas de forma acelerada nas redes.

O fluxo de mentiras sofreu um salto expressivo durante a crise sanitária. Em 2020 e 2021, a Lupa verificou um volume cerca de dez vezes maior de publicações do que no triênio antecedente, somando 452 conteúdos virais impulsionados por táticas de falsa autoridade e promessas milagrosas.

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"Um dos maiores desafios da desinformação em saúde é que ela se apropria da linguagem e da autoridade de médicos, pesquisadores e instituições para parecer legítima", pontua Cristina Tardáguila, fundadora da entidade.

O uso de falsos especialistas representou 21,6% dos casos mapeados. Outras táticas recorrentes envolveram apelos ao medo, distorção de dados científicos e promessas de soluções simplistas para patologias complexas.

Para Gustavo Meirelles, vice-presidente Médico e de Relações Institucionais da Afya, os profissionais da área precisam auxiliar os pacientes a filtrarem o excesso de dados sem embasamento que circulam atualmente.

Desinformação sobre vacina continua

Os imunizantes ganharam destaque expressivo nas checagens. Das 244 alegações sobre vacinas investigadas ao longo do período, 212 foram consideradas falsas, o equivalente a 86,9% do total apurado pela organização.

O levantamento também mapeou a presença de figuras públicas como Jair Bolsonaro, Bill Gates, Drauzio Varella, João Doria e Luiz Inácio Lula da Silva em 142 publicações, ressaltando que a citação não implica endosso, mas sim o uso de reputações alheias.

Canais de circulação

O aplicativo WhatsApp liderou as ocorrências associadas aos boatos, presente em mais de 70% das 498 checagens avaliadas entre março de 2017 e junho de 2026. O Facebook veio em seguida, com 25,3%, e o Instagram apareceu com 7%.

Os pesquisadores ponderam que os números refletem o canal de atendimento da própria agência na plataforma de mensagens, não significando exclusividade de origem da desinformação nesses ambientes.

FONTE/CRÉDITOS: Por Redação Paraná Urgente

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