Tibagi (PR) — O silêncio que paira sobre a zona rural de Tibagi, nos Campos Gerais do Paraná, é quebrado apenas pelo som dos motores das embarcações e das vozes aflitas dos voluntários. Já são cinco dias de angústia desde que o pequeno Arthur da Rosa Carneiro, de apenas dois anos, desapareceu misteriosamente na manhã de quinta-feira (9).
A família vive uma agonia indescritível enquanto as buscas, lideradas pelo Corpo de Bombeiros, seguem sem interrupção. A mamadeira do menino, encontrada a cerca de 500 metros da casa, às margens do rio, é o único indício concreto até agora — um pequeno objeto que reacendeu esperanças, mas também aprofundou o medo do pior.
O desaparecimento que parou Tibagi
Arthur estava dentro de casa quando desapareceu. A ausência só foi percebida momentos depois, quando os pais notaram o silêncio incomum e iniciaram uma busca desesperada pela propriedade. Ao longo das horas, vizinhos e amigos se uniram numa corrente de solidariedade e oração, mas a notícia logo ganhou dimensão regional, com dezenas de bombeiros, policiais e voluntários se somando à operação.
O rio próximo à residência, que corta a região e costuma ser calmo, tornou-se o principal ponto de concentração dos esforços. “Cada minuto conta, e seguimos acreditando que podemos encontrar o Arthur”, afirmou um dos bombeiros envolvidos, com a voz embargada.
Uma operação de esperança e resistência
A força-tarefa mobiliza drones com câmeras térmicas, mergulhadores do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), cães farejadores e barcos infláveis. As buscas se estendem por áreas de mata, margens íngremes e trechos de difícil acesso. O trabalho é exaustivo, e o clima tem sido um inimigo constante.
As chuvas recentes aumentaram o volume e a correnteza do rio, tornando cada mergulho um desafio de risco. “A água está muito turva, o que reduz a visibilidade a quase zero”, explicou um dos mergulhadores. Ainda assim, a determinação das equipes permanece inabalável.
Comunidade em vigília e fé inabalável
Em Tibagi, ninguém fala de outra coisa. A cidade parece ter parado para esperar Arthur. Moradores se revezam em vigílias silenciosas, acendendo velas e oferecendo alimentos e abrigo aos socorristas. O caso comove até quem não conhece a família, unindo a comunidade em torno de um único sentimento: esperança.
A família, devastada, tem se mantido afastada da imprensa. Em nota curta, pediram “privacidade e orações”, reforçando o apelo por qualquer informação que possa ajudar nas investigações. “Queremos nosso menino de volta. Seja onde for, que ele volte pra casa”, desabafou um parente próximo.
Próximos passos e a luta contra o tempo
Nesta segunda-feira (13), as equipes retomaram as buscas às 8h, reforçando as varreduras na superfície do rio e com drones sobrevoando áreas alagadas. O comando da operação informou que o trabalho seguirá “enquanto houver condições e esperança”.
Cada novo amanhecer traz consigo um misto de dor e fé. As horas passam lentas, o cansaço pesa, mas ninguém desiste. Em meio à incerteza, Tibagi respira junto com a família de Arthur, num clamor coletivo por um desfecho que traga respostas — e, quem sabe, um milagre.