Aguarde, carregando...

Segunda-feira, 25 de Maio 2026
Educação

IBGE revela que quase 40% dos adolescentes já foram vítimas de bullying escolar

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgada na quarta-feira (25), coletou depoimentos em escolas de todo o país em 2024.

Portal Paraná Urgente
Por Portal Paraná Urgente
IBGE revela que quase 40% dos adolescentes já foram vítimas de bullying escolar
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Aproximadamente 40% dos estudantes brasileiros, com idades entre 13 e 17 anos, relatam já ter sido vítimas de bullying. Dentre eles, uma parcela significativa de 27,2% experimentou alguma forma de humilhação em duas ou mais ocasiões.

Essas informações foram tornadas públicas na quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE). Os resultados são baseados em relatos colhidos durante o ano de 2024 em instituições de ensino por todo o território nacional.

Comparando com a edição anterior da pesquisa, realizada em 2019, observou-se um acréscimo de 0,7 ponto percentual no total de alunos que afirmaram ter vivenciado o bullying. A proporção de estudantes que enfrentaram essa situação repetidamente, ou seja, duas ou mais vezes, teve um aumento ainda mais expressivo, superando os 4 pontos percentuais, conforme destacou Marco Andreazzi, gerente responsável pelo estudo.

Leia Também:

"O bullying é intrinsecamente persistente e intermitente, e o que notamos é uma clara tendência de elevação, sugerindo que um número maior de alunos tem sido exposto a episódios recorrentes de violência", explicou Andreazzi.

Ele acrescenta que, embora o contingente total de vítimas de bullying tenha se mantido estável, houve um incremento na frequência e na gravidade dos incidentes.

Em um contexto relacionado, o IBGE também tem alertado para um cenário preocupante em relação à saúde mental dos adolescentes brasileiros.

Principais dados revelados

  • 39,8% dos alunos entre 13 e 17 anos reportaram ter sofrido bullying no ambiente escolar;
  • Entre as meninas, essa porcentagem é ainda maior, atingindo 43,3%;
  • A aparência do rosto ou cabelo foi o motivo alegado em 30,2% dos casos de bullying;
  • Cerca de 13,7% dos estudantes admitiram ter praticado bullying;
  • 16,6% dos jovens declararam já ter sido agredidos fisicamente por colegas.

Motivações: aparência, raça e gênero

Entre os estudantes que foram alvo de agressões, a pesquisa revelou que a aparência do rosto ou do cabelo constituiu o principal foco do bullying, representando 30,2% das ocorrências.

Na sequência, figuram a aparência corporal, responsável por 24,7% dos casos, e a discriminação por cor ou raça, que afetou 10,6% dos entrevistados.

O gerente da pesquisa também ressaltou que "um percentual considerável, de 26,3%, dos alunos afirma que o bullying não teve um motivo aparente. Isso significa que uma parcela significativa das vítimas não compreende a razão da agressão, o que é compreensível, dado que o bullying frequentemente se manifesta de forma coletiva, e o indivíduo agredido nem sempre identifica uma causa específica, sentindo-se, ao invés disso, profundamente injustiçado".

O estudo apontou que as meninas são as mais atingidas por esse tipo de violência: 43,3% delas já foram vítimas de bullying, em contraste com 37,3% dos meninos.

Adicionalmente, 30,1% das adolescentes relataram ter sofrido humilhação por parte de colegas em duas ou mais ocasiões. Essa proporção é quase 6 pontos percentuais superior à registrada entre os estudantes do sexo masculino.

Quem são os agressores?

Em contrapartida, os dados referentes aos agressores revelam um cenário inverso: 13,7% dos alunos admitiram ter praticado alguma forma de bullying, com uma distribuição de 16,5% entre os meninos e 10,9% entre as meninas.

Ao investigar as motivações das agressões, o IBGE constatou que, mais uma vez, a aparência facial, capilar ou corporal, assim como a cor ou raça, foram os fatores mais frequentemente mencionados pelos agressores.

Contudo, foram identificadas disparidades notáveis em comparação com os relatos das vítimas. Por exemplo, 12,1% dos agressores afirmaram ter praticado bullying em função do gênero ou orientação sexual de seus colegas, enquanto apenas 6,4% das vítimas reconheceram que essas características foram o motor da violência sofrida.

Situação semelhante foi observada no que diz respeito à deficiência: 7,6% dos agressores admitiram ter cometido bullying por essa razão, mas somente 2,6% das vítimas atribuíram o ataque a essa particularidade.

Os pesquisadores sugerem que esses dados podem indicar que muitas vítimas optam por não revelar as verdadeiras razões das agressões, possivelmente por temor ou receio de serem estigmatizadas.

Violência física e virtual

O estudo também apontou um recrudescimento dos conflitos entre os estudantes, com 16,6% deles relatando já ter sofrido agressões físicas por parte de colegas. Essa proporção se eleva para 18,6% quando se consideram apenas os meninos.

Houve um aumento também nesse quesito em comparação com 2019, ano em que 14% dos alunos haviam reportado agressões físicas, sendo 16,5% entre o público masculino.

O IBGE ainda ressalta um crescimento na parcela de estudantes que foram agredidos fisicamente em duas ou mais ocasiões, passando de 6,5% para 9,6%.

Por outro lado, os incidentes de bullying virtual, praticados através de redes sociais ou aplicativos, apresentaram uma leve queda, de 13,2% para 12,7%. No que tange a essa modalidade, as meninas são as principais vítimas, com 15,2% delas relatando ter se sentido humilhadas ou ameaçadas por conteúdos digitais, em comparação com 10,3% dos meninos.

Iniciativas de prevenção

O IBGE também consultou gestores escolares para levantar dados sobre o apoio disponibilizado aos adolescentes. Foi constatado que somente 53,4% dos estudantes frequentavam instituições de ensino que participam do Programa Saúde nas Escolas (PSE), uma iniciativa que implementa diversas ações para promover o bem-estar dos alunos.

Analisando as ações contempladas pelo PSE, verificou-se que apenas 43,2% dos alunos estavam matriculados em escolas que promoveram atividades de prevenção ao bullying. Além disso, somente 37,2% das unidades seguiram as diretrizes do programa para evitar brigas em suas instalações.

FONTE/CRÉDITOS: Por Redação Paraná Urgente

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR